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Embaixada brasileira monta esquema especial no Japão após terremoto

Itamaraty informa que não há brasileiros mortos ou feridos no país

Embaixada brasileira monta esquema especial no Japão após terremoto
Embaixada brasileira monta esquema especial no Japão após terremoto Foto : Yomiuri Shimbun / AFP / CP
Há apenas dois meses em Tóquio, o embaixador do Brasil no Japão, Marcos Bezerra Abott Galvão, viveu nesta sexta-feira o pior terremoto da história recente do país. Os tremores registraram 8,9 graus na escala Richter. Segundo ele, a sensação é “estranhíssima”. Mas Galvão afirmou à Agência Brasil que está mais tranquilo ao saber que não há registros de vítimas entre os 254 mil brasileiros que moram em território japonês. O embaixador determinou que todos os funcionários da Embaixada do Brasil no Japão mantenham um plantão de emergência para o atendimento à comunidade brasileira e às famílias de quem vive em cidades japonesas.

Em nota oficial, divulgada na tarde desta sexta, o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, informou que não há registros de mortos ou feridos brasileiros entre as vítimas do terremoto que atingiu o Japão nesta sexta-feira. O Brasil disse prestar solidariedade ao governo e ao povo japonês.

Em caso de informações, os interessados podem encaminhar mensagem para o endereço eletrônico comunidade@brasemb.or.jp.

Também é possível obter informações por meio do Núcleo de Atendimento a Brasileiros (NAB), que está em contato com a rede consular no Japão. Os telefones para informações são (61) 3411 6752/6753/8804 - das 8h às 20h - e (61) 3411 6456 - das 20h às 8h e finais de semana. Também podem ser encaminhadas dúvidas ao endereço eletrônico dac@itamaraty.gov.br.

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O Marcos Bezerra Abott Galvão afirmou ter recebido apoio do Ministério das Relações Exteriores do Japão para ajudar no que for necessário. De acordo com ele, a tranquilidade dos japoneses em lidar com o assunto é extraordinária.

Brasileira em Tóquio diz que situação é tranquila

A postura dos japoneses é confirmada pela brasileira Naomi Okano, que vive em Tóquio há 15 anos. Mesmo estando distante da região mais afetada, ela relatou que nunca ficou tão abalada. “Foi a primeira vez que eu, de fato, senti medo.” De acordo com Naomi, ao menos na capital, onde a maioria das construções é projetada para suportar os terremotos, não houve tumulto. Ela se apressou a tranquilizar os brasileiros que têm parentes ou amigos no Japão.

“As cenas que estão sendo exibidas são muito fortes, mas eu diria a todos que fiquem calmos porque, apesar de tudo, a maioria de nós está bem. Muitos só não conseguiram ainda fazer contato porque os telefones estão sobrecarregados e as operadoras de telefonia não estão conseguindo dar conta”, explicou Naomi. Segundo a embaixada brasileira no Japão, 254 mil brasileiros residem no país.

Google lança serviço para localizar vítimas no Japão

O Google colocou no ar uma ferramenta destinada a encontrar vítimas do terremoto no Japão. No site, que pode ser compartilhado em redes sociais, os internautas podem escrever notas para ajudar na localização de pessoas no país afetado. Com as informações, os voluntários criam um grande banco de dados que pode ser usado nas buscas. A mesma ferramenta já foi usada no terremoto do Haiti, no ano passado.


Tremor espalhou destruição por várias cidades japonesas | Foto: Yomiuri Shimbun / AFP / CP

Leia trechos da entrevista do embaixador Marcos Bezerra Abott Galvão à Agência Brasil:

Agência Brasil – Como está a situação agora no Japão?
Marcos Bezerra Abott Galvão -
Houve um terremoto de 8,9 graus na escala Richter, considerado de grande intensidade até para os padrões japoneses cujo limite é 7 graus, seguido de um maremoto. Foi uma sequência de abalos muito forte e de uma força extraordinária e quase incompreensível. Algo sem precedentes no Japão que constantemente passa por tremores. Em qualquer outro lugar do mundo certamente os dados seriam mais assustadores porque há toda uma estrutura preparada para os terremotos.

ABr – Qual é a sensação que se tem de viver um terremoto dessa magnitude?
Galvão –
Eu estava saindo da residência oficial para um compromisso (o terremoto ocorreu por volta das 14h46min no horário de Tóquio) quando houve o terremoto. É uma sensação estranhíssima. A gente sente a terra tremer inteira com uma força sem igual. Isso tudo com um barulho imenso, uma espécie de ronco, que brota da terra. Mas também é extraordinário observar como os japoneses, a sociedade e as autoridades lidam com tudo com tranquilidade.

ABr – Há uma preocupação com os brasileiros que moram no Japão, uma vez que a comunidade é imensa. Como eles estão?
Galvão –
Há 254 mil brasileiros morando hoje no Japão. Nós, na embaixada, e os três consulados estamos em contato permanente com a comunidade, e não há informações de vítimas. Isso porque o terremoto e o maremoto ocorreram em uma região onde há poucos brasileiros – no Nordeste do Japão. A concentração da comunidade brasileira é no Sul do país.

ABr – Há um temor no Brasil por causa das informações de falta de comunicação e problemas no Japão em decorrência do terremoto, como ficam os parentes que querem ter notícias de quem vive em território japonês?
Galvão –
Nós, na embaixada em Tóquio, estamos em regime de plantão de emergência para prestar esclarecimentos e informações. Vamos passar a noite aqui na embaixada. Até porque há problemas na comunicação por telefone e internet em várias regiões do país. O metrô, os trens e os aviões não funcionam. Os aeroportos estão fechados. Por isso estamos aqui.

ABr – As autoridades japonesas estão prestando algum apoio à Embaixada do Brasil no Japão?
Galvão –
Sim. Logo após o terremoto, o Ministério das Relações Exteriores do Japão entrou em contado com a embaixada para se colocar à disposição. Houve perguntas sobre a comunidade brasileira, os funcionários e mais o estado geral dos edifícios da embaixada e dos consulados. Por sorte, não houve danos. Também há disposição do governo japonês em fornecer informações sobre eventuais brasileiros vítimas do terremoto.

ABr – O senhor já falou com o chanceler Antonio Patriota e o Itamaraty. Quais são as orientações do Brasil?
Galvão –
As orientações são muito claras: estar à disposição da comunidade brasileira e das famílias de quem mora no Japão. A ideia é manter na embaixada o regime de plantão de emergência para prestar informações e esclarecimentos.

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