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Embaixadora dos EUA diz que massacre na Síria é uma visão "de pesadelo"

Oposição ao governo sírio pede resolução da ONU para acabar com onda de violência

Milhares de sírios protestam nas ruas de Treimsa após massacre que deixou 150 mortos
Milhares de sírios protestam nas ruas de Treimsa após massacre que deixou 150 mortos Foto : Vedat Xhymshiti / AFP / CP
Os Estados Unidos fizeram referência, nesta sexta-feira, a uma visão "de pesadelo" após o massacre na Síria que deixou, pelo menos, 150 pessoas mortas. Através de sua conta no Twitter, a embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Susan Rice, considerou que a violência em Treimsa, no centro do país, "mostra, de forma dramática, a necessidade de medidas vinculantes na Síria".

O porta-voz adjunto da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que o ocorrido "elimina qualquer dúvida quanto à necessidade de ver a comunidade internacional agir de forma coordenada à ONU na questão". "O massacre sírio deixa claro que o apoio internacional por mais pressões sobre o regime deve ser reforçado", acrescentou Earnest diante de jornalistas no avião Air Force One, que levava Barack Obama à Virgínia, onde o presidente americano participará de uma série de atos eleitorais nesta sexta-feira.

O Exército da Síria afirmou ter matado um grande número de rebeldes, mas não civis, na operação desencadeada na quinta-feira. "As Forças Armadas realizaram na quinta-feira de manhã uma operação bem sucedida (...) contra grupos terroristas armados, em alguns de seus centros de comando e locais utilizados para efetuar suas ações criminosas e torturar pessoas sequestradas", indicou a corporação em um comunicado. "As equipes conseguiram vencer os terroristas sem que uma vítima civil fosse lamentada", acrescentou a nota.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG opositora ao regime de Bashar al-Assad com sede na Grã-Bretanha, entre as vítimas do massacre estão dezenas de combatentes rebeldes. Ao final da operação, os soldados dizem ter encontrado corpos de cidadãos que os grupos terroristas tinham sequestrado e matado, conforme o comunicado do Exército sírio. A oposição denunciou a ação como um "massacre" e exige uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para acabar com a onda de violência. Milhares de sírios protestaram nas ruas de Treimsa após as mortes. Por enquanto, a questão síria continua bloqueada no Conselho de Segurança. O impasse entre os países ocidentais e a Rússia, principal aliada do governo sírio, impede o avanço de uma resolução contra Damasco.

A França criticou "a corrida assassina desenfreada do regime", pedindo novamente à ONU que "assuma suas responsabilidades". Já o emissário internacional para a Síria, Kofi Annan, se disse "chocado" e denunciou "uma violação do compromisso do governo de parar de usar armas pesadas nos centros populacionais". Por sua vez, o chefe de observadores da ONU na Síria, Robert Mood, afirmou que seus homens estão prontos para ir a Treimsa, em caso de cessar-fogo.

Os 15 membros do Conselho de Segurança vão se reunir novamente nesta sexta-feira para discussões mais profundas sobre a situação na Síria, segundo diplomatas. Kofi Annan irá a Moscou na segunda-feira para conversar com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, de acordo com agências de notícias daquele país.

A repressão da rebelião e os combates entre as forças governamentais e rebeldes mataram mais de 17 mil pessoas desde o início, em meados de março de 2011, da contestação contra o regime de Bashar al-Assad, de acordo com a OSDH.

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