O porta-voz adjunto da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que o ocorrido "elimina qualquer dúvida quanto à necessidade de ver a comunidade internacional agir de forma coordenada à ONU na questão". "O massacre sírio deixa claro que o apoio internacional por mais pressões sobre o regime deve ser reforçado", acrescentou Earnest diante de jornalistas no avião Air Force One, que levava Barack Obama à Virgínia, onde o presidente americano participará de uma série de atos eleitorais nesta sexta-feira.
O Exército da Síria afirmou ter matado um grande número de rebeldes, mas não civis, na operação desencadeada na quinta-feira. "As Forças Armadas realizaram na quinta-feira de manhã uma operação bem sucedida (...) contra grupos terroristas armados, em alguns de seus centros de comando e locais utilizados para efetuar suas ações criminosas e torturar pessoas sequestradas", indicou a corporação em um comunicado. "As equipes conseguiram vencer os terroristas sem que uma vítima civil fosse lamentada", acrescentou a nota.
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG opositora ao regime de Bashar al-Assad com sede na Grã-Bretanha, entre as vítimas do massacre estão dezenas de combatentes rebeldes. Ao final da operação, os soldados dizem ter encontrado corpos de cidadãos que os grupos terroristas tinham sequestrado e matado, conforme o comunicado do Exército sírio. A oposição denunciou a ação como um "massacre" e exige uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para acabar com a onda de violência. Milhares de sírios protestaram nas ruas de Treimsa após as mortes. Por enquanto, a questão síria continua bloqueada no Conselho de Segurança. O impasse entre os países ocidentais e a Rússia, principal aliada do governo sírio, impede o avanço de uma resolução contra Damasco.
A França criticou "a corrida assassina desenfreada do regime", pedindo novamente à ONU que "assuma suas responsabilidades". Já o emissário internacional para a Síria, Kofi Annan, se disse "chocado" e denunciou "uma violação do compromisso do governo de parar de usar armas pesadas nos centros populacionais". Por sua vez, o chefe de observadores da ONU na Síria, Robert Mood, afirmou que seus homens estão prontos para ir a Treimsa, em caso de cessar-fogo.
Os 15 membros do Conselho de Segurança vão se reunir novamente nesta sexta-feira para discussões mais profundas sobre a situação na Síria, segundo diplomatas. Kofi Annan irá a Moscou na segunda-feira para conversar com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, de acordo com agências de notícias daquele país.
A repressão da rebelião e os combates entre as forças governamentais e rebeldes mataram mais de 17 mil pessoas desde o início, em meados de março de 2011, da contestação contra o regime de Bashar al-Assad, de acordo com a OSDH.