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A fabricante de ônibus Marcopolo, de Caxias do Sul, decidiu trazer de volta ao Brasil três funcionários com cargo de direção que atuam no continente africano. A previsão é de que o trio retorne ao Brasil nesta quarta-feira.
Em 2008, a Marcopolo firmou uma joint venture com a empresa egípcia GB Auto para montagem e comercialização de carrocerias. A fábrica está parada desde a última quinta-feira. Conforme a assessoria de comunicação da Marcopolo, com os transportes públicos funcionando precariamente, faltando combustível, energia elétrica e matéria prima, a melhor alternativa foi parar a fábrica até que a situação se normalize.
Na unidade, trabalham cerca de 700 funcionários. A fábrica fica a 40 quilômetros de Suez. A joint venture, cujo investimento programado é de US$ 50 milhões, estimava produzir neste ano 1,2 mil unidades de ônibus para o Egito, norte da África e Oriente Médio.
Diretor da Randon não consegue comunicação com o país
A Randon, que tem acordo com a empresa Egypt Power para a montagem de carretas com sua marca, está parada desde terça-feira da semana passada. O diretor comercial da companhia, César Pissetti, disse nesta terça que não consegue comunicação, nem por e-mail, com o dirigente da Egypt Power desde sexta.
“Quem nos informou que a fábrica tinha suspendido as operações foi nosso representante em Dubai, que conseguiu o contato. Nós não enviaremos mais nada para o Egito até que a situação seja normalizada”, afirmou Pissetti. A empresa envia peças desmontadas de navio, principalmente de semirreboques plataforma, para a Egypt montar e comercializar os produtos naquele país.
Segundo ele, a Randon não tem funcionário residindo no Egito. “Nossas operações no Cairo começaram em março de 2010, quando enviamos nosso pessoal especializado para dar treinamento. Eles voltaram no final do ano passado”, disse o diretor. O único incidente ocorrido foi com o representante da Randon, que vive na Argélia. “Ele teve a empresa invadida por manifestantes dias atrás, e nós o enviamos para o Egito, que seria um local mais seguro. Mas assim que começaram os protestos na semana passada, ele retornou para a Argélia”, contou.
Pissetti afirmou que a Randon possui negócios com vários países da África e da América Latina e sempre que há conflito, as operações são suspensas. Pelo plano original da Randon, 2011 é o primeiro ano de operações da montadora no Egito, com faturamento previsto de 5 milhões de dólares e projeção de dobrar o valor até o quinto ano.
“A gente já tem experiência com este tipo de situação de conflito nos países africanos e da América Latina onde atuamos. A paralisação nas operações é temporária, até a vida no Egito voltar a normalidade. Até agora, não mudamos nosso plano estratégico original, pois somos otimistas e o ano está só no início, ainda com tempo para recuperação”, afirmou o diretor da Randon.