A operação de recuperação dos corpos havia sido suspensa por dois dias devido ao mau tempo, mas foi retomada nesse domingo. Segundo relatos dos sobreviventes, a tragédia aconteceu depois que ocupantes da embarcação atearam fogo para chamar a atenção das autoridades italianas. Eles estavam há várias horas em alto-mar, mas a embarcação sofreu um incêndio, o que gerou pânico e muitos imigrantes se jogaram ao mar, o que desestabilizou o barco, que virou.
De acordo com a imprensa, entre 400 e 500 imigrantes africanos, incluindo mulheres e crianças, estavam a bordo da embarcação. "É um horror, um horror. Não param de trazer corpos", declarou, sem conter as lágrimas, a prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini.
"Uma vergonha", afirma o Papa
"É uma vergonha. A palavra que me vem à mente é vergonha", declarou o Papa Francisco ao ser informado da tragédia. O argentino, filho de imigrantes italianos, visitou no dia 8 de julho a pequena ilha de Lampedusa, em sua primeira viagem dentro da Itália, durante a qual denunciou a indiferença do mundo frente ao drama dos imigrantes que fogem de seus países em busca de uma vida melhor. Muito sensível ao tema, Francisco condenou o sistema econômico atual, que marginaliza as camadas mais pobres da sociedade.