Donald Trump adotou um tom surpreendentemente conciliador depois que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos o deixou em uma posição enfraquecida. Contudo, é impossível saber quanto tempo esta atitude vai durar.
Desde retomar a campanha militar contra o Irã até vetar projetos de lei democratas, o mandatário ainda poderia utilizar os poderes que lhe restam para retomar o protagonismo em seus dois últimos anos de mandato. "Cada vez que Trump se vê encurralado, ele levanta ainda mais a voz e sai para lutar", comentou à AFP Peter Loge, diretor da Escola de Média e Assuntos Públicos da Universidade George Washington.
Vetos presidenciais
O presidente americano parabenizou na terça-feira (3) os democratas e afirmou que está disposto a trabalhar com eles. Pode ter de fazê-lo, sobretudo se os republicanos se voltarem contra ele após uma derrota que muitos atribuem à guerra no Irã.
Ao mesmo tempo, Trump ostentou seu poder de veto sobre qualquer legislação democrata que precise sancionar. Diversos meios de comunicação informaram que seu governo planeja usar ordens executivas para impulsionar políticas migratórias duras, como fez nos primeiros 100 dias de seu segundo mandato.
Trump, a primeira pessoa com uma condenação penal a vencer uma eleição presidencial, disse que enfrentará qualquer investigação dos democratas.
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Política externa com o Irã
A política externa é uma das áreas em que um presidente em fim de mandato ainda tem amplos poderes. Trump poderia retomar os ataques contra o Irã, embora na terça-feira tenha indicado que ainda busca um acordo para pôr fim ao conflito iniciado em fevereiro junto com Israel.
"Caso contrário, simplesmente vou terminar o trabalho", declarou à Fox News. "Não creio que ele queira que seu legado seja o de um belicista. Ele quer que seu legado seja deixar os Estados Unidos mais fortes", comentou à AFP Ryan Hass, da Brookings Institution.
O mandatário republicano também descartou especulações sobre uma destituição do secretário de Defesa, Pete Hegseth, caso a guerra no Irã continue.
Cessar-fogo na Ucrânia
Trump desejou ser visto como um pacificador e poderia pressionar a Ucrânia a aceitar algum tipo de entendimento com a Rússia. Na próxima semana, estão previstas conversas trilaterais em Abu Dhabi.
Mas sua influência diante de governantes como o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin pode ter sido enfraquecida com a derrota eleitoral de terça-feira. O revés nas urnas ocorre a menos de duas semanas de um possível encontro dos três líderes em uma cúpula em Shenzhen, China.
Deixando um legado
Donald Trump, um magnata do ramo imobiliário, também poderia se afastar da confrontação para se concentrar em seu tema favorito: deixar um legado físico em Washington.
Em seu discurso final antes da votação, falou pouco sobre política e, em vez disso, concentrou-se na renovação do espelho d"água do Lincoln Memorial e em outros planos para embelezar a Capital.
Seu projeto principal é o gigantesco salão de festas, avaliado em 400 milhões de dólares, que está construindo na Casa Branca e espera concluir até o fim de 2028, antes de deixar o cargo.