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Entenda como funcionam as eleições de meio de mandato nos EUA e por que a apuração pode levar dias

Americanos escolhem nesta terça deputados, senadores e governadores; sem órgão nacional como o TSE, cada estado conta os próprios votos

Pleito desta terça decide a maioria na Câmara e no Senado; certificação oficial pode levar até 30 dias
Pleito desta terça decide a maioria na Câmara e no Senado; certificação oficial pode levar até 30 dias Foto : Timothy A. Clary / AFP / CP

Os eleitores dos Estados Unidos escolhem nesta terça-feira, 3, todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 senadores e governadores de 36 estados. O resultado das eleições de meio de mandato, as midterms, vai definir qual partido comanda o Congresso nos dois últimos anos do governo de Donald Trump.

Com isso, será determinado o espaço que o presidente republicano terá para aprovar sua agenda. A votação costuma funcionar como uma avaliação do governo. Neste ano, a AFP a descreve como um referendo sobre Trump, que passou meses tentando interferir na forma como os estados conduzem o processo e pôs em dúvida o resultado em caso de derrota republicana.

Milhões de americanos já votaram antecipadamente, e a participação caminha para superar a das últimas midterms, segundo a agência.

O que será votado

A renovação da Câmara é completa, porque os deputados cumprem mandatos de dois anos. Cada um representa um distrito, e o número de distritos por estado depende da população.

No Senado, a lógica é outra. Cada estado tem dois senadores, com mandato de seis anos, e a Casa se renova em etapas, cerca de um terço a cada dois anos, segundo o portal oficial do governo americano, o USA.gov.

➡️ Neste ano, estão em jogo as 33 cadeiras do grupo eleito em 2020, além de duas eleições especiais, em Ohio e na Flórida. Elas visam completar os mandatos de JD Vance, hoje vice-presidente, e de Marco Rubio, secretário de Estado, que deixaram o Senado em 2025. Também estão em disputa cargos legislativos estaduais e municipais, conforme o calendário de cada localidade.

Periodicidade e condições de voto

As eleições federais americanas ocorrem a cada dois anos, sempre na terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro, data fixada por lei federal. Quando coincidem com a escolha do presidente, são eleições gerais. Na metade do mandato presidencial, de quatro anos, ganham o nome de meio de mandato.

O voto é facultativo. Para participar, o cidadão precisa se registrar como eleitor, com prazos que variam de estado para estado. O eleitor pode votar de três formas: presencialmente no dia da eleição, presencialmente de forma antecipada ou pelo correio. As regras de cada modalidade, como os prazos para pedir e devolver a cédula, também são definidas pelos estados.

Como funciona a votação

Cada estado organiza e apura os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o País. Prazos, equipamentos e formas de contagem variam de um estado para outro, e a operação fica a cargo dos condados.

Na maior parte do País, vence quem recebe mais votos, mesmo sem maioria absoluta, e não há segundo turno. Para controlar a Câmara, um partido precisa de ao menos 218 das 435 cadeiras, metade mais uma.

No Senado, a maioria exige 51 dos 100 senadores. Em caso de empate em 50 a 50, decide o voto do vice-presidente, que preside a Casa, hoje JD Vance. Os eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027.

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O que está em jogo

Os democratas esperam conquistar a maioria na Câmara e têm boas perspectivas no Senado. Se tirarem ao menos quatro cadeiras dos republicanos, voltarão a controlar todo o Congresso. Em sua última projeção, a empresa Decision Desk HQ previu maioria democrata de 52 a 48 no Senado e de 241 a 194 na Câmara, segundo a AFP.

Trump chega à votação com quase 70% de desaprovação, o pior índice de um presidente nesta fase do mandato, de acordo com a agência. Passou quase um mês em campanha, às vezes com vários comícios por dia, nas eleições legislativas de meio de mandato mais caras da história, com gastos acima de US$ 11 bilhões. “São as eleições mais importantes de nossas vidas”, declarou na segunda-feira.

Os democratas e republicanos apostaram na mobilização da ala mais à esquerda e em campanhas de registro de eleitores. Entre os hispânicos, grupo em que Trump obteve quase metade dos votos em 2024, 53% se dizem “extremamente motivados” a votar, ante 41% em 2022, segundo o centro de pesquisas Pew. Só 24% deles aprovam o governo.

Em caso de vitória, a oposição pretende abrir investigações contra o presidente, o governo e a família Trump, bloquear nomeações e barrar o financiamento da guerra no Irã. O republicano reagiu com a promessa de virar o “Senhor Veto” para frear as iniciativas da oposição.

Por que o resultado demora mais que no Brasil

As urnas começam a fechar às 18h na costa leste, 20h no horário de Brasília, e no Havaí só fecham às 2h. Mesmo assim, os números exibidos durante a madrugada não são oficiais. Segundo a Comissão de Assistência Eleitoral (EAC, na sigla em inglês), órgão federal que orienta os estados, apenas as autoridades eleitorais divulgam o resultado final, e as vitórias anunciadas pela imprensa são projeções.

O voto pelo correio é um dos principais motivos da demora. Antes da contagem, as cédulas passam por uma série de etapas de conferência, chamadas de processamento, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais (NCSL). Trump tem defendido restrições à modalidade e afirma que o sistema é suscetível a fraudes, sem apresentar provas.

Depois vem a apuração oficial, chamada de canvass, em que as autoridades conferem se o número de cédulas corresponde ao de eleitores. A certificação local costuma sair entre 1 e 30 dias após a eleição, segundo a EAC. Disputas apertadas podem ir para recontagem, e resultados também podem ser contestados na Justiça. No Alasca, o governo federal quer contestar o resultado de forma preventiva, depois que os democratas lançaram um candidato com nome idêntico ao do republicano, segundo a AFP.

No Brasil, o caminho é mais curto. Cada urna eletrônica apura os próprios votos ao fim da votação e imprime o Boletim de Urna, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados seguem criptografados e com assinatura digital para a Justiça Eleitoral, que soma todos os boletins. Como não há voto pelo correio e um único órgão organiza, regulamenta e julga a eleição, o resultado sai em poucas horas.

*Com informações da AFP.