A Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e o Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba se manifestaram na tarde desta quarta-feira sobre ataque terrorista à revista Charlie Hebdo, publicação de cunho satírica da França, que deixou 12 mortos.
A ACB destacou seu repudio a qualquer ato de violência à liberdade de expressão e ressaltou que “o desenhista é justamente o artista que busca a defesa dos mais fracos e oprimidos, desde que as charges começaram há 200 anos. A palavra ‘charge’ é francesa e significa ‘carga’, por ser sempre uma carga crítica aos governos e dogmas que mancham os direitos humanos e a livre expressão. Esses mesmos desenhistas, mortos, foram críticos em suas vidas em relação aos governos que oprimem povos de países do terceiro mundo”.
Já o Conselho Consultivo o Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba ressaltou que “o humor gráfico tem como traço principal, historicamente no mundo todo, a sua não subserviência contra quaisquer tipos de ditaduras, sejam políticas, militares ou religiosas”.
Confira a nota da ACB
“Mais uma vez, estamos presenciando a barbárie na história humana com o atentado de fundamentalistas islâmicos à revista de sátiras "Charlie Hebdo", que matou 12 pessoas, nesta quarta-feira (7), em Paris.
Entre os mortos estão o editor e chargista Charb (Stephane Charbonnier), os desenhistas Cabu, Tignous e o famoso cartunista Wolinski. A revista já havia sofrido um ataque em novembro de 2011, em uma tentativa dos terroristas de incendiar sua sede.
Em setembro de 2005, o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou 12 charges que se utilizavam da imagem do profeta Maomé, que pela fé islâmica não pode ser representado em imagem qualquer, para atacar os radicais que utilizam a religião para promoverem o terrorismo no mundo. Esse acontecimento inflamou a já difícil relação do Ocidente com os povos islâmicos.
Por mais que um veículo de mídia - neste caso, de desenhistas - esteja desrespeitando esses preceitos religiosos, não se justifica essa violência, que é prejudicial aos próprios povos do Islã, já que o termo "islã" está ligado à palavra árabe salam, que significa paz - o que indica o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica.
Repudiamos, sempre, todo e qualquer ato de violência à liberdade de expressão. O desenhista é justamente o artista que busca a defesa dos mais fracos e oprimidos, desde que as charges começaram há 200 anos. A palavra "charge" é francesa e significa "carga", por ser sempre uma carga crítica aos governos e dogmas que mancham os direitos humanos e a livre expressão. Esses mesmos desenhistas, mortos, foram críticos em suas vidas em relação aos governos que oprimem povos de países do terceiro mundo.
Casos de abusos sempre devem ser resolvidos nas formas jurídicas e de manifestações pacíficas para que o mundo saiba que somos seres que se tratam como humanos e não como irracionais.
Esperamos que esse triste acontecimento seja um exemplo de intolerância a ser varrido das relações humanas para que a morte desses jornalistas e desenhistas não seja em vão.
Estamos em luto total.
José Alberto Lovetro (Jal)
Presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil – ACB”
Veja a nota do Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Repúdio ao atentado contra a revista Charlie Hebdo
Em nome do Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, venho manifestar o nosso mais veemente repúdio ao atentado terrorista ocorrido hoje em Paris, contra o semanário “Charlie Hebdo”, que resultou em 12 mortes e outros feridos graves. A revista, que tradicionalmente ironizava a intolerância política islamita, foi covardemente assaltada e fuzilada.
O humor gráfico tem como traço principal, historicamente no mundo todo, a sua não subserviência contra quaisquer tipos de ditaduras, sejam políticas, militares ou religiosas.
Lançamos por ocasião dos 40 anos do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o livro “Balas não matam ideias”, em coautoria com a acadêmica do Curso de Publicidade, Leticia Ciasi, infelizmente, nunca o título daquele livro esteve tão atual.
Que as autoridades francesas e a comunidade política e artística internacional, manifestem seu profundo repúdio contra um atentado à livre manifestação do pensamento, uma das maiores conquistas da sociedade contemporânea.
Manifestei, em nosso nome, ao presidente da FECO, Federação Internacional dos Cartunistas, Francisco Puñal Suárez, o nosso pesar pelos falecidos, feridos, extensivos aos seus familiares e amigos".
Entidades ligadas ao cartum repudiam ataque na França
ACB e o Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba se manifestaram nesta tarde