"O Equador rejeita, nos termos mais enérgicos, a ameaça explícita presente em uma comunicação oficial", protestou o representante, em Quito. "A posição que assumiu o governo da Grã-Bretanha é inadmissível, tanto do ponto de vista político como do jurídico", afirmou o chanceler ao destacar que "a entrada não autorizada seria uma violação flagrante da Convenção de Viena".
O Foreign Office respondeu a Patiño e argumentou ter embasamento na lei para a ação, especialmente por conta "das disposições da legislação britânica, entre elas as garantias sobre os direitos humanos em processos de extradição e o status legal das sedes diplomáticas". Eles citaram a lei de 1987 que permite, em certas condições, suspender a imunidade das embaixadas.
Patiño informou que o Equador anunciará às 7h (9h de Brasília) desta quinta-feira a decisão sobre o pedido de asilo de Assange. "Tomamos uma decisão", salientou a chancelaria em Quito. Paralelamente, a Grã-Bretanha anunciou que está "decidida" a extraditar Julian Assange para a Suécia, onde é procurado pela justiça por acusações de agressão sexual e estupro.
Assange, 41 anos, se refugiou na embaixada do Equador em Londres no dia 19 de junho passado. O australiano afirma que a Suécia planeja entregá-lo aos Estados Unidos, onde é investigado por espionagem após divulgar em seu site despachos confidenciais do departamento de Estado, incluindo documentos sobre as guerras do Iraque e Afeganistão.