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Equador prorroga estado de exceção após revolta policial

Com decreto do presidente Rafael Correa, Forças Armadas podem cumprir funções policiais

Equador prorroga estado de exceção após revolta policial
Equador prorroga estado de exceção após revolta policial Foto : Rodrigo Buendia / AFP / CP
O presidente do Equador, Rafael Correa, ampliou até sexta-feira o estado de exceção declarado depois da rebelião policial na semana passada, acolhendo um pedido do Congresso que denunciou a falta de garantias para legislar. Até então, o estado de exceção expirava nesta terça-feira.

A medida permite que os militares cumpram funções policiais, o que levou a Assembleia a demitir hoje cerca de 120 membros da guarda legislativa, que foram substituídos por cerca de 80 soldados.

"A polícia que estava aqui não tem mais a nossa confiança", disse o presidente da Assembleia, Fernando Cordero, que suspendeu as sessões do Congresso até quinta-feira. Cordero lembrou que o Parlamento foi tomado por policiais durante a rebelião, que deixou dez mortos e 274 feridos.

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Os policiais se revoltaram contra a lei que eliminou benefícios salariais para os servidores públicos. Rafael Correa defendeu hoje "o princípio da autoridade" aplicado por seu governo, ao mesmo tempo que minimizou as críticas de setores da oposição que o acusam de ser "autoritário".

"Há pessoas que querem me chamar de 'autoritário' e dizem que, por eles, os policiais podem pegar em armas e assassinar o povo equatoriano. Mas nosso estilo de governo é totalmente apegado à lei, temos princípios de autoridade e sabemos tomar decisões", assegurou o mandatário equatoriano. No passado, "confundiam democracia com ausência de autoridade (...), mas esta situação está mudando no Equador", completou.

"Temos a consciência tranquila. Continuaremos fazendo as coisas como vínhamos fazendo. Continuaremos com o estilo de governar, tomando decisões com autoridade em um país em que cada um se acostumou a fazer o que desse na cabeça", enfatizou o presidente.

Uma gravação da rádio da polícia do Equador divulgada hoje releva que agentes instigaram os policiais a matar Correa durante a rebelião. "Matem Correa para que isto acabe, matem Correa e acaba logo!" "Matem o presidente!" - determinam certos agentes em comunicações da central de rádio da polícia.

Na última quinta-feira, durante os protestos de policiais contra a lei que eliminou bonificações, Correa foi mantido por várias horas em poder dos revoltosos em um hospital de Quito. "Não deixem esse filho da puta sair, até que assine (as exigências da polícia) daqui não sai; se não, esse babaca sai morto", diz um agente.

"Esse senhor não sai sem assinar as atribuições que correspondem a ele para a Polícia Nacional, esse senhor tem que nos dar a atribuição completa, esse senhor tem que garantir nossa anistia completa, tem que garantir nossa sobrevivência", acrescentou outro homem.

Correa denunciou uma tentativa de golpe de Estado e assassinato depois de ter sido resgatado em uma operação militar que registrou violentos confrontos com os rebeldes.

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