Mundo

Espanha convoca embaixador na Venezuela para consultas

Governo considerou "intoleráveis" declarações do presidente Nicolás Maduro

Ministro das Relações Exteriores considerou intoleráveis declarações de Maduro
Ministro das Relações Exteriores considerou intoleráveis declarações de Maduro Foto : John Thys / AFP / CP
O governo da Espanha convocou para consultas o embaixador do país na Venezuela, depois de considerar "intoleráveis" as declarações do presidente Nicolás Maduro, que acusou o primeiro-ministro espanhol de apoiar uma "conspiração" internacional. "Os termos utilizados pelas autoridades, nunca o povo venezuelano, são absolutamente intoleráveis", disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo. "Levando em consideração o que aconteceu e o grau de irritação verbal observado no presidente Maduro, decidi convocar para consultas nosso embaixador em Caracas, Antonio Pérez Hernández", completou o chefe da diplomacia espanhola.

O presidente venezuelano acusou nessa terça-feira o chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy, de estar "por trás de uma conspiração internacional para derrubar o governo constitucional que presido". Maduro insistiu que Rajoy, a quem voltou de chamar de "racista", colabora com o "terrorismo" na Venezuela e que da Espanha "se financia e se apoia logística e diplomaticamente uma conspiração". O presidente venezuelano disse que Rajoy pertence a "um grupo de corruptos, de bandidos e de ladrões" e que "praticamente todos os seus companheiros de governo" estão processados ou presos por corrupção.

No dia 15, o governo espanhol convocou o embaixador venezuelano na Espanha para expressar o mal-estar com declarações de Maduro, que acusou Rajoy de "racista" um dia depois do Congresso espanhol aprovar uma resolução que pedia a "libertação imediata" dos líderes opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, assim como de outros políticos detidos no país.

López, acusado pelo governo de estimular a violência nos protestos do início de 2014 contra o governo de Maduro que deixaram 43 mortos, está na prisão militar de Ramo Verde, a 30 quilômetros de Caracas, desde fevereiro de 2014. Na mesma penitenciária se encontra o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, detido em 19 de fevereiro e acusado de supostos crimes de conspiração.