Os espanhóis comparecem às urnas neste domingo para eleições regionais e municipais que representam um teste para os novos partidos políticos, como o Podemos, inspirada no movimento dos "indignados", ante as forças tradicionais.
"A nova e a velha política medem forças nas urnas", afirma neste domingo o jornal El País, sem hesitar em apontar estas como as "eleições mais incertas" desde a volta da democracia à Espanha após a morte de Franco em 1975.
A resposta pode estar com os mais 30% de eleitores indecisos até a véspera da votação. As eleições regionais e municipais tradicionalmente antecipam a tendência das eleições legislativas, que devem acontecer em novembro ou dezembro.
Mais de 35 milhões de eleitores comparecem às urnas, incluindo 1,5 milhão de jovens que votam pela primeira vez. O voto jovem é a principal arma dos novos partidos, como o Podemos ou seu oposto de centro-direita, Cidadãos.
Os partidos são liderados, respectivamente, pelo professor universitário Pablo Iglesias e pelo advogado Albert Rivera, ambos com pouco mais de 30 anos, que ameaçam o bipartidarismo que domina o país desde 1982 com os Socialistas (PSOE) e o governante Partido Popular (PP, direita).
Os espanhóis renovam 13 dos 17 parlamentos regionais, em um país muito descentralizado no qual as regiões têm importantes atribuições, como educação e saúde. A direita domina 13 comunidades autônomas. Também devem escolher 8.122 prefeitos, incluindo os de Madri, Barcelona e Valencia, as três maiores cidades do país.
As eleições acontecem após o pior momento da crise econômica, depois que o país cresceu 1,4% em 2014. As consequências, no entanto, ainda não resultaram em benefícios para a população.
Milhares de jovens deixaram o país para fugir do desemprego, que afeta 23,7% da população ativa, ao mesmo tempo que os escândalos de corrupção - em meio a uma dura política de austeridade - contribuem para aumentar o mal-estar da população.
Assim, o PP tem dificuldades para convencer os cidadãos de que é o responsável pela recuperação econômica e sobre os perigos de "experimentos" com os novos partidos.
O líder do PP, o primeiro-ministro Mariano Rajoy, se limitou a pedir à população que compareça às urnas, enquanto o secretário-geral dos socialistas, Pedro Sánchez, afirmou que "temos a enorme oportunidade de mudar as coisas que não nos agradam com o nosso voto".
As pesquisas apontam um resultado fragmentado e a necessidade de pactos, onde, segundo o El País, "os vencedores em votos não serão necessariamente aqueles que assumirão o poder institucional" em regiões e municípios.
Espanha vota hoje em eleições regionais e municipais
Mais de 35 milhões de eleitores devem comparecer às urnas, 1,5 milhão são jovens que votam pela primeira vez