A queda do avião civil malaio, provavelmente atingido por um míssil, e a morte de seus 298 passageiros no leste da Ucrânia, em uma zona de combates entre rebeldes pró-russos e as forças de Kiev, é um marco nesta crise que já dura oito meses, e que poderia ter consequências políticas e econômicas imprevisíveis para a Rússia.
"Vemos um grande choque entre a Rússia e o Ocidente. O isolamento da Rússia irá se agravar de forma consistente", declarou Yuli Nisnevitch, da Escola de Estudos Avançados em Economia de Moscou. A queda do avião da Malásia causou indignação em todo o mundo, com Washington acusando diretamente os rebelde pró-russos de serem responsáveis pela tragédia.
A Rússia rejeita as acusações americanas, ressaltando que Washington tirou conclusões antes mesmo de uma investigação. O vice-ministro russo da Defesa, Anatoly Antonov, afirmou no sábado que a Rússia era vítima de uma guerra de desinformação. "Eu acredito que se a investigação incriminar Moscou, mesmo que indiretamente, a Rússia negará a sua responsabilidade", assegura o economista russo, residente em Paris, Sergei Gouriyev. "Se a investigação acusar a Rússia, isso seria um desastre para o país", acredita por sua vez o analista político independente Yevgeny Gontmakher.