Especialistas da ONU denunciaram, nesta terça-feira, 2, que as tentativas dos Estados Unidos de desestabilizar Cuba, como parte de uma estratégia de coerção, evocam "práticas coloniais". "As tentativas de alterar a ordem constitucional de um Estado soberano por meio de ameaças e coerção lembram práticas da era colonial", afirmaram os especialistas em um comunicado.
Em sua opinião, "as declarações do presidente dos Estados Unidos [Donald Trump] sobre ‘a honra de tomar Cuba’ refletem uma estratégia profundamente preocupante de coerção contra um Estado soberano".
"Essa declaração não é mera retórica, mas parte de uma estratégia mais ampla que inclui o embargo de longa data contra Cuba, sua inclusão na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, o recente bloqueio de combustível e a imposição de medidas coercitivas a terceiros", afirmaram os especialistas.
Esses especialistas são encarregados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome da organização. Cuba, país sujeito a um embargo dos EUA desde 1962, enfrenta uma grave crise econômica há anos, agravada nos últimos meses pelo bloqueio do petróleo imposto por Washington e outras sanções econômicas americanas.
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Pressão crescente dos Estados Unidos
Os Estados Unidos aumentaram ainda mais a pressão sobre a ilha na semana passada, quando processaram seu ex-presidente Raúl Castro, acusado de assassinar cidadãos americanos em um caso que remonta a 1996. Os especialistas acreditam que essa acusação "parece estar relacionada a esses esforços para minar a soberania de Cuba", assim como o recente envio do porta-aviões Nimitz para o Mar do Caribe.
Essas ações, que ocorrem "após o sequestro do presidente venezuelano [Nicolás] Maduro em janeiro de 2026" e a proclamação do presidente Trump, em março de 2026, da "chamada "Doutrina Donroe", que afirma a dominância dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental", suscitaram grande alarme.
Os especialistas instaram Washington a "cessar imediatamente todas as ameaças à soberania de Cuba". Eles também apelaram aos membros da ONU para que "se abstenham de reconhecer ou implementar medidas que violem os princípios da igualdade soberana e da não intervenção, e para que tomem todas as medidas apropriadas no âmbito da ONU para defender a ordem jurídica internacional".
Instaram ainda o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU a "tratarem urgentemente as ameaças contra Cuba como uma questão de paz e segurança internacionais".