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Especialistas da ONU concedem apoio ao juiz Baltazar Garzon

"Uma lei de anistia vai contra as disposições da Declaração da ONU", afirma grupo de trabalho

Especialistas da ONU apoiam juiz Baltazar Garzon
Especialistas da ONU apoiam juiz Baltazar Garzon Foto : Cris Bouroncle / AFP / CP
O grupo de juristas da ONU, que trabalha com desaparecimentos de pessoas, expressou nesta terça-feira, em comunicado, "preocupação" com a punição do magistrado espanhol Baltasar Garzón de suas funções. Suspenso no dia 14 de maio, o juiz irá a julgamento por ter investigado em seu país crimes anistiados da Guerra Civil (1936-39) e do franquismo (1939-75).

Para o grupo de trabalho, "uma lei de anistia vai contra as disposições da Declaração (da ONU de proteção das pessoas contra desaparecimentos forçados) através da qual os Estados se comprometem a investigar, a perseguir e a punir os responáveis, mesmo quando a legislação tenha sido aprovada por referendo".

O juiz Garzón é acusado por organizações de ultradireita de ter querido investigar as vítimas e os crimes do franquismo, apesar da lei de anistia de 1977, votada dois anos depois da morte do ditador Francisco Franco.

Repercussão na sociedade

No mesmo dia em que o juiz foi afastado de suas funções e chorou, o escritor português José Saramago disse, no site da sua Fundação, que "as lágrimas do Juiz Garzón são, hoje, minhas lágrimas".

"Com o afastamento de Garzón os sinos, depois do repique a glória que farão os falangistas, os implicados no caso Gürtell, os narcotraficantes, os terroristas, os nostálgicos das ditaduras, voltarão a dobrar a finados, porque a justiça e o estado de direito não avançaram, nem terão ganho em transparência e quem não avança, retrocede", escreveu Saramago.

Inúmeras personalidades espanholas seguiram o exemplo de Saramago e foram a público divulgar seu apoio ao magistrado. Entre eles, o cineasta Pedro Almodóvar. Semana passada, também houve manifestação popular em Lima, no Peru, a favor de Garzón (foto).