"Espião" americano detido na Venezuela será acusado de terrorismo

"Espião" americano detido na Venezuela será acusado de terrorismo

Matthew Jhon Heath e mais sete venezuelanos detidos foram vinculados a um ataque fracassado a instalações petrolíferas

AFP

Anúncio foi feito pelo procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab

publicidade

Um "espião" americano, além de sete venezuelanos detidos, incluindo um militar, será acusado de "terrorismo" depois de ter sido vinculado a um ataque fracassado a instalações petrolíferas, anunciou nesta segunda-feira o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab.

"Todos os cidadãos venezuelanos serão acusados dos crimes de traição, terrorismo, tráfico ilícito de armas e associação, enquanto o cidadão dos Estados Unidos será acusado dos crimes de terrorismo, tráfico ilícito de armas e associação (para cometer um crime)", disse Saab em declarações transmitidas pela televisão do governo após as prisões feitas entre sexta-feira e o fim de semana.

O procurador-geral afirmou que, com a prisão do americano identificado como Matthew Jhon Heath e seus "cúmplices" venezuelanos, "foi possível neutralizar uma ação" que tentava gerar "desestabilidade" e "atacar a indústria de petróleo e o sistema de energia nacional".

No Twitter, Saab afirmou que "Matthew John Heath pertencia à empresa de mercenários MVM, cumprindo missão no Iraque de 2006 a 2016 três meses por ano, onde trabalhou como operador de comunicações em uma Base Secreta da CIA".

A captura do "espião americano" foi anunciada em 11 de setembro pelo presidente socialista Nicolás Maduro, que não relevou sua identidade naquele momento. Maduro afirmou que a prisão de Heath foi feita perto do gigantesco centro de refino de Paranaguá (estado Falcão, noroeste), hoje praticamente paralisado, segundo sindicatos de petróleo.

Dois dias antes da prisão, as autoridades "descobriram e desmontaram um plano para gerar uma explosão" na refinaria de El Palito, a mais próxima a Caracas, localizada no estado Carabobo (centro), disse o presidente.

As prisões coincidem com uma escassez crônica de combustível, agravada durante a pandemia de Covid-19. Venezuela, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, passou de ser exportador para importar combustível de aliados-chave como o Irã.

A produção da outrora potência de petróleo está em queda livre: de 3,2 milhões de barris por dia (bd) há pouco mais de uma década, passou para menos de 4000 mil bd na atualidade.

Especialistas atribuem o colapso às políticas fracassadas, falta de investimento e corrupção, enquanto Caracas culpa as sanções financeiras dos EUA que incluem um embargo de petróleo em virgor desde abril de 2019.

Em agosto, os americanos Luke Alexander Denman e Airan Berry foram condenados a 20 anos de prisão na Venezuela, acusados de terrorismo por, entre outros crimes, um ataque armado fracassado ao país caribenho em maio.


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895