"Três filhos, uma vida normal": a esposa de Yassin Salhi, suposto autor do ataque jihadista cometido nesta sexta-feira perto de Lyon, no centro-leste da França, expressou sua incredulidade após a prisão de seu marido, enquanto seus vizinhos falaram de um homem "discreto".
"Meu coração vai parar, o que está acontecendo?", declarou, visivelmente abalada, ao ser entrevistada pela rádio Europe 1. Ela então foi detida pela polícia em sua casa em Saint-Priest, uma cidade no subúrbio de Lyon. "Ele saiu para trabalhar esta manhã às 7h", contou, explicando que seu marido "fazia entrega (...) de caixas, pedidos, coisas desse tipo". "Ontem ele estava no trabalho, ele voltou para casa, normal. Tivemos uma noite normal", acrescentou.
"Somos um casal de muçulmanos normal, respeitamos o Ramadã. Temos três filhos, uma vida familiar normal", resumiu, sem ver "qualquer razão" que levasse seu marido a cometer tal crime. Sua esposa disse ter recebido "a má notícia" através de sua cunhada. "No jornal, eles dizem que foi um ato terrorista, mas não é possível, eu o conheço, ele é meu marido, tínhamos uma vida familiar normal", insistiu.
No bairro tranquilo onde o casal reside com seus três filhos de 6 a 9 anos, os vizinhos descrevem "uma família discreta". "As crianças brincam com as minhas. São bastante normais e carinhosas", disse um vizinho de 40 anos, que se recusou a dar seu nome. A família Salhi vive no primeiro andar de um edifício de três andares. Uma folha branca foi colocada pela polícia para esconder a entrada, enquanto dois policiais à paisana, armados, guardavam a porta.
Uma mulher, carregando uma criança nos braços, e, em seguida, uma segunda pessoa, saíram sob um lençol branco no meio da tarde e foram imediatamente levadas para veículos da polícia. Vinte vizinhos estavam amontoados às portas do edifício.
Um deles disse sobre Yassin Salhi: "Ele não falava com ninguém. Trocávamos apenas um 'Olá'". O suspeito também não se distinguia pela sua roupa. "Ele só tinha uma pequena barba", afirmou. Um jovem afirmou "nunca ter visto" Yassin Salhi na mesquita de Saint-Priest.
Yassin Salhi, de 35 anos, é suspeito de ser o autor do ataque a uma fábrica de gás industrial em Saint-Quentin-Fallavier. Ele teria decapitado o seu chefe. Ele foi fichado em 2006 e 2008 pelos serviços de inteligência por "radicalização" e estaria "ligado ao movimento salafista", segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.
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