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"Estão ameçadas a transição e a ordem no Egito", diz embaixador brasileiro

Cesário Melantônio analisou o confronto em praça no Cairo. Veja galeria de fotos

	Manifestantes entraram em confronto no Egito
Manifestantes entraram em confronto no Egito Foto : Miguel Medina / AFP / CP
O confronto entre manifestantes contrários e favoráveis ao governo egípcio nesta quarta, na Praça Tahrir, no Centro do Cairo, coloca em risco o processo de transição no país. Essa é a posição do embaixador brasileiro no Egito, Cesário Melantônio. "Eu esperava uma transição com ordem. Agora, estão ameaçadas a transição e a ordem", destacou em entrevista para a Record News.

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Melantônio informou que os manifestantes contam apenas com pedras e pedaços de madeira, já que o Exército cercou a Praça Tahrir e revistou as pessoas antes delas entrarem no local. "Desejo e espero que não se use armas de fogos", disse. Para o diplomata, as Forças Armadas até agora consideravam legítimos os protestos e disseram que não reprimiriam as ações populares. A grande questão, de acordo com o embaixador, é se essa posição do Exército irá se manter.

Segundo Melantônio, o Egito não enfrenta uma crise de desabastecimento. "Tenho ido todos dias aos supermecados, lojas, e quitandas. Não há desabastecimento de comida, água e combustível", garantiu. E a orientação para os brasileiros que estão no país, seja como turistas ou moradores, é a mesma: obedecer o toque de recolher.

Confronto em praça do Cairo

No início da tarde desta quarta, milhares de partidários do presidente Hosni Mubarak entraram em confronto na Praça Tahrir, epicentro dos protestos que exigem a renúncia do governante. Em questão de minutos, manifestantes dos dois lados começaram a se enfrentar com violência, atirando pedras uns contra os outros, sob o olhar de soldados que assistiam a tudo sobre os tanques mobilizados na praça, sem intervir.

Pedaços de pau também foram usados e partidários de Mubarak avançaram em camelos contra os opositores, mas foram cercados, retirados dos animais e espancados. Algumas pessoas foram arrastadas pelas ruas e a violência deixou vários feridos.

A oposição acusa policiais à paisana de se infiltrarem no protesto na praça Tharir. "O Partido Nacional Democrata (PND) pró-Mubarak e a polícia secreta vestida à paisana invadiram a praça para acabar com o protesto", afirmou o manifestante Mohammed Zomor, de 63 anos. Imagens da rede norte-americana CNN mostraram partidários de Mubarak atacando os manifestantes com cassetetes e pedaços de pau, montados sobre camelos e cavalos.

Protestos continuarão


Apesar do pedido do Exército pelo fim dos protestos, a oposição egípcia manteve a convocação de grandes manifestações para sexta-feira contra o presidente Hosni Mubarak. "Vamos protestar na sexta-feira, que foi batizado de 'Dia da Saída', e esperamos mais de um milhão de pessoas nas ruas de todo o Egito para exigir a queda do regime", disse à AFP Iman Hasan, de um grupo de apoio ao líder opositor Mohamed ElBaradei.



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