O enviado especial dos Estados Unidos para a Groenlândia disse à AFP, nesta quarta-feira, 20, que seu país precisa reconstruir sua presença no território autônomo dinamarquês. "Acredito que está na hora de os Estados Unidos voltarem a deixar sua marca na Groenlândia", disse o enviado Jeff Landry à AFP, ao final de sua primeira visita a esta ilha do Ártico.
No auge da Guerra Fria, Washington chegou a ter 17 instalações militares na Groenlândia, mas atualmente tem apenas uma: a base Pituffik, no norte da ilha. Os Estados Unidos querem abrir três novas bases no sul deste território pertencente à Dinamarca, segundo informações publicadas recentemente pela imprensa.
Alvo estratégico para os EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste que os Estados Unidos devem controlar a Groenlândia por questões de "segurança nacional". Ele disse que se Washington não controlar a ilha, existe o risco de que o território passe a ser administrado pela China ou pela Rússia. A Groenlândia é a rota de mísseis mais curta entre a Rússia e os Estados Unidos.
"Acho que estão vendo o presidente falar de reforçar as operações de segurança nacional e de voltar a ocupar certas bases na Groenlândia", disse Landry.
Um pacto de defesa de 1951, atualizado em 2005, permite aos Estados Unidos aumentarem a mobilização de suas tropas e as instalações militares na ilha, desde que informem previamente os governos da Dinamarca e da Groenlândia. Trump recuou nas ameaças de se apoderar da ilha em janeiro e um grupo de trabalho entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia foi criado para discutir suas preocupações.
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Reações e diplomacia
Embora o desejo de um "senhor" de "assegurar o controle da Groenlândia (...) seja completamente desrespeitoso (...), somos obrigados a encontrar uma solução", disse a jornalistas o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, à margem de um fórum econômico sobre a Groenlândia, celebrado na terça-feira. Landry, que também é governador do estado da Louisiana, chegou a Nuuk, capital da Groenlândia, no domingo. Sua presença na ilha sem um convite oficial causou polêmica.
Ele se reuniu com Nielsen e com o ministro das Relações Exteriores groenlandês, Mute Egede, na segunda-feira. Nielsen disse que as conversas foram "construtivas", mas acrescentou que "não há sinais (...) de que algo tenha mudado" na posição de Washington.