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Estado Islâmico mata 25 pessoas em festa religiosa no Iêmen

Ataque aconteceu em mesquita frequentada por xiitas

Ataque aconteceu em mesquita frequentada por xiitas
Ataque aconteceu em mesquita frequentada por xiitas Foto : Mohammed Huwais / AFP/ CP
A grande festa muçulmana do Adha foi marcada nesta quinta-feira em Sanaa por um atentado reivindicado pelo grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI), que fez 25 mortos e dezenas de feridos entre fieis xiitas em uma mesquita.
O ataque teve como alvo a mesquita Balili, perto da academia de polícia, frequentada por partidários dos rebeldes xiitas huthis, que controlam a capital iemenita há um ano.

Uma bomba explodiu na mesquita durante a oração do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício) ao raiar do dia, causando pânico entre os fieis que correram para a saída, onde um homem-bomba se explodiu, de acordo com fontes da segurança e testemunhas.

Apesar da revista dos fieis na entrada do santuário, os autores do ataque conseguiram introduzir no edifício três cargas explosivas escondidas em sapatos e roupas íntimas, explicou o chefe da segurança da mesquita. "Nós encontramos explosivos em um sapato e numa cueca abandonados no banheiro", indicou Adnane Khaled. Segundo ele, duas cargas foram neutralizadas, mas uma terceira colocada perto do "mihrab", estrutura elevada onde o imã lidera a oração, explodiu, causando pânico. "Quando as pessoas se precipitaram para sair da sala de oração, um homem-bomba tentou forçar caminho para entrar na mesquita", disse Khaled. "Ele foi interceptado na entrada por um
guarda de segurança e se explodiu".

O oficial de segurança confirmou o balanço de 25 mortos fornecido por fontes médicas, acrescentando que 20 fieis morreram no local e cinco no hospital. Na internet, o EI reivindicou a autoria do ataque em um comunicado divulgado por sites jihadistas. O grupo afirma que um dos seus membros - identificado como Amr al-Hadidi- "detonou seu
cinto de explosivos na mesquita Balili no setor de Bab el-Yemen entre os infiéis huthis, causando muitas baixas". O EI, que considera os xiitas como hereges, reivindicou vários ataques desde março em várias mesquitas em Sanaa. Os primeiros, em 21 de março, fizeram 142 mortes e o mais recente matou mais de 30 pessoas no início de setembro.

Medidas foram adotadas para garantir a segurança da mesquita Balili. Blocos de concreto foram colocados ao redor do local de culto para evitar ataques com carros-bomba. 

Derrota após derrota

No norte da capital, a aviação da coalizão liderada por Riad, que apoia as forças pró-governo no Iêmen, lançou nesta quinta-feira uma série de ataques aéreos contra posições dos rebeldes huthis, segundo testemunhas.  O presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, que acaba de retornar a Aden após um exílio de seis meses na vizinha Arábia Saudita, participou nesta quinta-feira de manhã da oração do Eid al-Adha na maior cidade no sul do Iêmen.

Em um discurso transmitido na quarta-feira, por ocasião da festa muçulmana do sacrifício, Hadi afirmou que os rebeldes huthis estão "sofrendo derrota após derrota" e que "o Iêmen será libertado em breve".

A coalizão árabe-sunita formada em apoio a Hadi ajudou as forças leais a recuperar mais de cinco províncias rebeldes do sul e reúne tropas a leste de Sanaa para marchar sobre a capital. Desde março, o conflito no Iêmen deixou cerca de 5 mil mortos e 25 mil feridos, muitos deles civis, segundo a ONU.

A ONG Ação contra a Fome manifestou preocupação quanto ao impacto do conflito sobre a população civil, em uma declaração apelando à comunidade internacional a "reagir rapidamente (...) para levantar o bloqueio que está matando de fome e colocando em risco a população Iêmen, preso entre os ataques aéreos e batalhas terrestres.