O Departamento de Estado, que há dois dias mantém fechadas dezenas de missões diplomáticas no Oriente Médio e na África, ordenou que todos os seus funcionários diplomáticos não essenciais do Iêmen deixem o local poucas horas após um ataque com drone (aviões teleguiados) que matou quatro militantes da Al-Qaeda no país. Por sua vez, o porta-voz do Pentágono, George Little, disse que "o Departamento de Defesa segue mantendo funcionários em terra para apoiar o Departamento de Estado e monitorar a situação em matéria de segurança".
Os meios de comunicação americanos afirmaram que o nível de alerta foi disparado devido à interceptação na semana passada de mensagens eletrônicas entre o chefe da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, e o líder da rede islamita na Península Arábica (cuja sede encontra-se no Iêmen), Nasser al-Wuhayshi. Segundo a edição de segunda-feira do New York Times, Al-Zawahiri ordenava nestas mensagens a organização de atentados a partir de domingo passado.
Mas segundo a rede de televisão CNN, Al-Zawahiri ordenou que Al-Wuhayshi fizesse algo e isso foi interpretado pelas autoridades americanas e iemenitas como um sinal de atentado iminente. Como consequência, o Departamento de Estado ordenou o fechamento de 25 embaixadas no domingo e indicou posteriormente que 19 delas prolongarão o fechamento até 10 de agosto.
A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) é considerada o braço com a maior capacidade operacional da organização, que nos últimos anos sofreu duros golpes em seus núcleos históricos de Afeganistão e Paquistão. A AQPA tentou inclusive cometer atentados nos Estados Unidos, como em 2009, quando quis enviar um passageiro de um avião comercial com explosivos e tentou esconder bombas em material de impressão enviado em aviões de carga.
Outros países ocidentais, como Grã-Bretanha, França, Alemanha e Noruega, também fecharam suas missões diplomáticas na região. Embora Washington já tenha ordenado em outras ocasiões o fechamento de embaixadas devido ao risco de atentados, estima-se que nunca esta decisão teve tal amplitude.
Na semana passada, o Departamento de Estado advertiu aos cidadãos americanos sobre o risco de "ataques terroristas em sistemas de transporte público e outras infraestruturas turísticas". No domingo passado, a Interpol lançou um alerta mundial relacionado à fuga em julho de "centenas de terroristas e outros criminosos" de prisões de nove países, entre eles Líbia, Iraque e Paquistão. Os programas da Agência de Segurança Nacional (NSA) encontram-se sob os olhares da opinião americana e mundial depois que o ex-analista Edward Snowden revelou a existência de um gigantesco programa de vigilância de comunicações na internet.