A entrada principal da prestigiosa Universidade Sciences Po em Paris foi fechada nesta quarta-feira, pela direção do Instituto, depois que estudantes que se opõem à reforma educacional do presidente Emmanuel Macron ocuparam uma parte do estabelecimento. Cerca de 100 alunos reinvidicavam nesta manhã as medidas do líder de Estado que pretende conceder às universidades públicas o poder de estabelecer critérios de admissão. Para os estudantes, essa reforma é um primeiro passo para mudar um sistema de seleção até agora tabu no país da "educação gratuita para todos".
A Universidade, que é composta principalmente pela elite francesa, dividiu opiniões fazendo com que alguns fossem às aulas para apoiar e outros, para criticar. Entre eles, está Thomas, um estudante do Mestrado de Relações Internacionais, que disse apoiar esse movimento que faz parte de uma "contestação mais global contra a política do governo". "É uma vergonha!", denunciou Paul, estudante do primeiro ano. "É uma minoria que está bloqueando. Muita gente quer ir para a aula. Tem uma minoria silenciosa que não quer isso", completou.
Em nota enviada na última terça-feira, os estudantes afirmaram que "Ocupar a Sciences Po é fortemente simbólico, já que foi aqui que estudou Emmanuel Macron e vários membros de sua maioria parlamentar", acrescentaram. Os alunos espalharam cartazes na fachada do prédio, que fica no 7º distrito da capital francesa, com lemas como "os estudantes de Sciences Po contra a ditadura macronista", ou "Macron, sua universidade está bloqueada".
Na última quinta-feira, a Polícia interveio para evacuar a renomada Universidade de Sorbonne, ocupada por cerca de 200 estudantes. Outras universidades foram evacuadas nos últimos dias, incluindo Nanterre, perto de Paris, berço do grande movimento de protesto estudantil de Maio de 1968. O bloqueio da Sciences Po coincide com a sétima jornada de greves de trabalhadores ferroviários contra uma polêmica reforma do setor lançada por Macron. O tráfego ferroviário deve ficar tumultuado nesta quarta-feira, mas menos do que nos dias anteriores.
Macron vaiado
Os sindicatos convocaram para esta quinta-feira uma jornada de manifestações nacionais de diversas categorias para tentar consolidar uma frente unida contra a agenda de reformas de Emmanuel Macron, que chegou ao poder há menos de um ano. Espera-se que ferroviários, estudantes e outras categorias retomem as ruas, após as últimas manifestações de 22 de março, que mobilizaram, segundo a Polícia, 300 mil pessoas.
Somando-se ao protesto, a principal organização sindical do setor energético na França anunciou nesta quarta greves intermitentes até o final de junho com "cortes dirigidos" a "empresas, onde se demitem funcionários", ou que "criminalizem a ação dos sindicatos". A categoria pede a criação de um novo serviço público de gás e energia e busca uma "convergência de lutas", explicou à AFP o secretário-general do sindicato CGT, Sébastien Menesplier.
Macron, que no último domingo disse ouvir toda revolta dos manifestantes, advertiu que não cederá em suas reformas. Nesta quarta-feira pela manhã, durante uma visita ao leste da França, ele foi vaiado por ferroviários e protagonizou um acalorado debate com um sindicalista que o acusou de corroer os direitos dos trabalhadores.
"Não vamos deixar que a reforma passe", gritou um grupo de manifestantes. "Acredito profundamente na reforma que empreendemos. Eu lhes peço que aceitem uma mudança", rebateu Macron. De acordo com uma pesquisa Ifop-Fiducial difundida hoje, 60% dos franceses estão "insatisfeitos" com a ação de Macron, que completa, mês que vem, um ano de governo.
Estudantes protestam e bloqueiam entrada da Universidade Sciences Po, em Paris
Movimento foi realizado contra reforma educacional proposta pelo presidente Emmanuel Macron