O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem planos de revelar, nesta terça-feira, medidas destinadas a garantir que os mercados de crédito de compensação de carbono reduzam efetivamente as emissões de gases de efeito estufa, em uma vitória significativa para os defensores de planos controversos.
A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, anunciará as primeiras diretrizes gerais do governo para os mercados de carbono de "alta integridade", visando fortalecer a confiança em um sistema frequentemente criticado como "greenwashing" por seus oponentes.
"Acredito que aproveitar o poder dos mercados e do capital privado é fundamental. Isto inclui esforços para desenvolver os mercados voluntários de carbono de alta integridade", sustentará Yellen durante um evento ao lado de outros altos funcionários, incluindo o assessor climático da Casa Branca, John Podesta.
Desafios e Soluções dos Mercados de Carbono
Os créditos de carbono permitem que empresas e países compensem suas emissões de gases poluentes, representando cada crédito a redução ou eliminação de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2), geralmente por meio de projetos em países em desenvolvimento que visam combater o desmatamento.
Embora o mercado de compensação de carbono seja atualmente avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares (10,3 bilhões de reais na cotação atual), enfrenta críticas intensas, especialmente após estudos indicarem que as reivindicações de redução de emissões sob esses regimes muitas vezes são exageradas ou simplesmente inexistentes.
Yellen detalhará os princípios que fortalecem a integridade do sistema em três áreas essenciais: créditos vinculados à redução ou eliminação genuína de emissões, responsabilidade corporativa priorizando a redução de emissões e a garantia do funcionamento eficaz do mercado por meio de maior transparência e menos complexidade nos mecanismos.
Perspectivas e Comentários dos Especialistas
Defensores dos mercados de carbono, incluindo o ex-enviado dos EUA para o clima John Kerry, argumentam que o financiamento governamental por si só é insuficiente para cumprir o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento do aquecimento global a 1,5ºC.
O presidente do Quênia, William Ruto, que visitou Washington na semana passada, elogiou os sumidouros de carbono da África como uma "mina de ouro econômica sem paralelo" com potencial para gerar bilhões de dólares por ano.
O enviado especial da ONU para os objetivos e soluções climáticas, Michael Bloomberg, juntamente com Mark Carney, enviado especial da ONU para a ação climática e finanças, e Mary Schapiro, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, celebraram o anúncio, afirmando que isso ajudará a aumentar o investimento em projetos de redução de emissões e permitirá que mais empresas cresçam enquanto reduzem suas emissões de carbono.