"Nossa inteligência estima que entre 100 e 150 pessoas mortas no país apresentam claros traços de armas químicas", salientou Rhodes. "Isso viola tratados e normas internacionais e desrespeitam óbvias linhas vermelhas que foram estipuladas há décadas", criticou o conselheiro. "Para resumir, o regime de Assad deve saber que suas ações nos levam a aumentar o envolvimento e escala de ajuda para a oposição, incluindo apoio direto ao Conselho Militar Supremo dos rebeldes", definiu o representante da Casa Branca.
Rhodes relatou à imprensa que Obama definiu claramente apoio militar à oposição síria nesta semana. Apesar disso, ele evitou afirmar que os Estados Unidos vão fornecer armamentos para a guerrilha. Uma decisão de instituir uma zona de espaço aéreo fechado na Síria, requisição dos rebeldes para interromper os bombardeios, ainda não foi tomada, conforme a Casa Branca. O aeroporto internacional de Damasco foi alvo, nesta quinta, dos disparos de dois morteiros dos opositores.
Massacre quantificado
A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou "os massacres incessantes" na Síria, cenário de um conflito cada vez mais "vicioso" conforme a entidade. Mais de 93 mil, incluindo pelo menos 6,5 mil crianças, morreram desde o início da guerra civil na Síria, indicou um relatório que destaca o aumento do número de vítimas fatais por mês. "Apelo às partes que declarem um cessar-fogo imediato, antes de seguir matando ou ferindo dezenas de milhares de pessoas", declarou a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay.
"Os massacres incessantes continuam a níveis exorbitantemente elevados, com mais de 5 mil mortos documentados a cada mês desde julho e 27 mil óbitos adicionais desde 1º de dezembro", salientou. Diante das recentes vitórias do Exército sírio sobre os rebeldes, uma reunião está prevista para sábado na Turquia entre representantes dos países aliados da oposição e o comandante do Conselho Militar do Exército Sírio Livre (ESL), Sélim Idriss, para discutir uma "ajuda concreta" à rebelião.
O ESL, fracamente armado em relação ao poderio das tropas governamentais, marcou pontos nesta quinta-feira, ao atacar o aeroporto internacional de Damasco com dois morteiros, segundo o ministro sírio dos Transportes, Mahmud Said. Este é um dos primeiros ataques ao aeroporto desde o início da revolta, em março de 2011, contra o governo do presidente Bashar al-Assad.
Os rebeldes também tomaram o controle de uma posição estratégica do Exército entre Damasco e Aleppo (norte), em uma ação que matou seis soldados. Os insurgentes apreenderam armas e munições. "Esta posição é importante porque está localizada na principal estrada de abastecimento do Exército para Aleppo", afirmou o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman. Os meios de comunicação pró-regime afirmaram no domingo que as tropas governamentais se preparam para uma ofensiva contra a metrópole do norte para esmagar a rebelião.