EUA e Alemanha exigem que Turquia encerre "provocação" à Grécia

EUA e Alemanha exigem que Turquia encerre "provocação" à Grécia

País turco enviou um navio de exploração apoiado por navios de guerra para águas disputadas com a Grécia em agosto

AFP

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse que a retirada do navio era uma forma de dar uma chance à diplomacia

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Os Estados Unidos e a Alemanha, dois dos principais aliados ocidentais da Turquia, exigiram nesta terça-feira a retirada de um navio que voltou às águas disputadas com a Grécia, uma ação que Washington chamou de "provocação".

A Marinha turca informou no domingo que o navio de exploração Oruc Reis estava retornando às águas ricas em petróleo do Mediterrâneo entre a ilha grega de Creta e Chipre semanas depois de deixar a área em meio a negociações.

Os Estados Unidos disseram que "lamentam" a decisão turca e notaram que a Grécia "reivindica jurisdição" nas áreas onde o navio planeja operar até 22 de outubro. "Exigimos que a Turquia cesse essa provocação deliberada e comece imediatamente as negociações preliminares com a Grécia", disse o porta-voz do Departamento de Estado Morgan Ortagus em comunicado.

"O anúncio da Turquia aumenta unilateralmente as tensões na região e complica deliberadamente a retomada das negociações cruciais entre nossos aliados da Otan, Grécia e Turquia", acrescentou. "Coação, ameaças, intimidação e atividade militar não resolverão as tensões no Mediterrâneo oriental", completou.

A Turquia enviou um navio de exploração apoiado por navios de guerra para essas águas disputadas em agosto. A ação alarmou Chipre e a Grécia, que realizaram exercícios militares. 

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Atenas afirmou nesta terça-feira que não pode haver solução diplomática até que o navio seja retirado. A Grécia "não se sentará à mesa de negociações preliminares enquanto o Oruc Reis e os navios militares que a escoltam não partirem", disse o ministro de Estado George Gerapetritis à rádio grega.

Ele acrescentou que Atenas pode denunciar "enfaticamente" a disputa em uma reunião do Conselho Europeu a partir de quinta-feira.

 Alemanha sobe o tom 

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse no mês passado que a retirada do navio era uma forma de dar uma chance à diplomacia. Entretanto, as autoridades turcas insistiram que o navio passava apenas por revisão e que retornaria às águas do leste do Mediterrâneo para continuar a tarefa.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse antes de viajar a Chipre e Grécia que se o governo turco "está interessado no diálogo, deve encerrar este ciclo de provocação". "Se houvesse uma nova exploração de gás turco nas áreas mais polêmicas do Mediterrâneo oriental, seria um sério revés para os esforços para relaxar" o litígio, disse Maas.

Enquanto a França apoia firmemente a Grécia no confronto com a Turquia, a Alemanha irritou muitos gregos em agosto, que consideraram a resposta da maior potência europeia muito tímida.

Erdogan mantém uma relação cordial com a chanceler alemã Angela Merkel, que trabalhou com a Turquia para conter o fluxo de refugiados para a Europa e na crise na Líbia, e tem bons laços com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.


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