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EUA e Trinidad e Tobago anunciam exercícios militares perto da Venezuela

Mobilização envolve destróieres, um submarino e embarcações com forças especiais em águas internacionais do Caribe

Tensão militar no Caribe escalou após Estados Unidos e Trinidad e Tobago anunciarem exercícios militares conjuntos
Tensão militar no Caribe escalou após Estados Unidos e Trinidad e Tobago anunciarem exercícios militares conjuntos Foto : MARTIN BERNETTI / AFP

A tensão militar no Caribe escalou após Estados Unidos e Trinidad e Tobago anunciarem exercícios militares conjuntos perto das costas da Venezuela. O anúncio ocorre dias depois de o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fazer um apelo pela paz diante do destacamento de forças militares americanas na região desde agosto.

A mobilização militar dos EUA, que envolve destróieres, um submarino e embarcações com forças especiais em águas internacionais do Caribe, tem o suposto objetivo de combater o tráfico de drogas.

Maduro clama contra a guerra

Em meio à escalada, Maduro clamou contra o conflito, usando até um "inglês tarzaneado": "Não à guerra louca. No crazy war. A Venezuela quer paz".

No entanto, a mobilização americana resultou em violência. Até o momento, a ação militar já vitimou 37 pessoas em nove bombardeios contra supostas embarcações com drogas em águas internacionais do Caribe e do Pacífico. Especialistas e os governos de Venezuela e Colômbia questionam a legalidade dos ataques, classificando-os como "execuções extrajudiciais" contra suspeitos não interceptados.

Adicionando à tensão, dados do Flightradar24 mostraram na quinta-feira um bombardeiro B-1B se aproximando da costa venezuelana, antes de virar para o norte. O presidente americano, Donald Trump, negou o envio das aeronaves à Venezuela, mas não escondeu seu descontentamento com as autoridades venezuelanas, que acusa de narcotráfico. Trump afirmou que, em relação ao combate, "Não vamos necessariamente pedir uma declaração de guerra ao Congresso. Simplesmente vamos matar pessoas que vêm ao nosso país".

Exercícios militares conjuntos e acusações

O Ministério das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago confirmou a realização dos exercícios: o contratorpedeiro dos Estados Unidos USS Gravely (DDG-107) "realizará treinamentos conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago (TTDF)" a partir de 30 de outubro. O comunicado destaca o "compromisso dos Estados Unidos com a segurança regional".

Em resposta, a Venezuela acusou o novo governo trinitino de servir aos interesses de Washington. A primeira-ministra Kamla Persad Bissessar expressou apoio a Trump e às operações no Caribe.

Resistência venezuelana e CIA

Trump acusa Maduro de liderar uma quadrilha de narcotráfico, o que o venezuelano nega. Recentemente, o presidente americano autorizou operações secretas da CIA na Venezuela. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, respondeu:

"Podem enviar quantos agentes da CIA quiserem em operações secretas por qualquer lado da nação. Qualquer tentativa fracassará".

Diante da mobilização americana, Maduro abriu o registro na reserva militar e ordenou exercícios militares quase diariamente, incluindo um na madrugada de quinta-feira em 73 pontos das costas venezuelanas. O líder venezuelano também anunciou que o país dispõe de 5.000 mísseis antiaéreos portáteis de fabricação russa Igla-S, agradecendo o apoio de países como Rússia e China para "garantir a paz".