Os Estados Unidos esperam que o Irã aceite como um "gesto humanitário" a oferta de asilo do Brasil a uma mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento, indicou nesta segunda-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu no sábado asilo a Sakineh Muhamadi-Ashtiani, de 43 anos, cuja condenação causou o descontentamento dos países ocidentais.
Lula disse que respeita as leis do Irã, mas considerou que se sua "amizade" com o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, vale alguma coisa, o Brasil está diposto a receber a mulher. "Esperamos que o Irã escute, frente à disposição do Brasil de resolver" esta situação, disse Crowley.
O governo de Lula mantém relações amistosas com o de Ahmadinejad, tanto que negociou ao lado da Turquia em maio passado um acordo para que o Irã troque urânio levemente enriquecido por combustível enriquecido a 20%, em uma tentativa de solucionar o conflito com as potências ocidentais pelo programa nuclear da República Islâmica.
Controvérsia
A proposta do presidente Lula de conceder asilo à iraniana é apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã. Mas a iniciativa é criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país. Integrantes de organizações de direitos humanos disseram que a oferta de Lula a Ashtiani é um passo positivo, mas que ainda é preciso fazer mais para pressionar o Irã a banir esse tipo de sentença. O governo iraniano ainda não se manifestou oficialmente sobre se aceita a proposta, embora um site ligado à Guarda Revolucionária do Irã tenha criticado à posição do presidente brasileiro, acusando-o de interferir nas questões internas do país.
Desde maio de 2006, Ashtiani está presa no Irã quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido. As autoridades iranianas afirmaram, no começo do mês passado, que Ashtiani não seria morta por apedrejamento, embora ainda possa ser sentenciada à morte por enforcamento pelo adultério e por outras acusações que pesam contra ela.
EUA esperam que Irã aceite asilo de mulher condenada à morte
Presidente Lula ofereceu abrigo a iraniana acusada de adultério