A Rússia propôs que a Síria colocasse sob controle internacional seu arsenal de armas químicas. Barack Obama, que vinha articulando formas de conseguir apoio para uma intervenção militar no país de Assad, está comprometido com um possível avanço diplomático para evitar um ataque, mas seguirá defendendo uma eventual reação em seu discurso à nação nesta terça-feira, disse o porta-voz, Jay Carney. O pronunciamento será feito às 21h01min locais (22h01min horário de Brasília).
"Obam buscará apoio do Congresso e do povo americano à ação que propôs contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, em punição pelo ataque com armas químicas de 21 de agosto", disse Carney. "O presidente acredita que deve responder às violações flagrantes da Síria à proibição de utilizar armas químicas", mas "também afirmará que há um potencial progresso na frente diplomática" com a proposta russa, aceita por Damasco, de colocar o arsenal de armas químicas da Síria sob controle internacional, disse à MSNBC.
Mais cedo, o secretário de Estado, John Kerry, disse que os Estados Unidos não esperarão por muito tempo pela proposta da Rússia. Em uma audiência no Congresso ele afirmou que colocar o arsenal sírio em mãos internacionais seria a "via ideal", enfatizando, no entanto, que isso será "extremadamente difícil".
Putin diz que EUA devem desistir de ataque
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta terça-feira que os Estados Unidos devem desistir de atacar militarmente o regime sírio para que a iniciativa russa de colocar o arsenal químico de Damasco sob controle internacional seja eficaz. "Tudo isso tem sentido e poderá funcionar se os americanos e todos os que os apoiam renunciarem ao uso da força", declarou o presidente, segundo a televisão russa.
Casa Branca teme distração
A Casa Branca teme que a proposta da Rússia seja uma distração para ganhar tempo quando os navios americanos estão prontos para lançar mísseis contra alvos sírios. Além disso, há suspeitas sobre as motivações russas, já que a relação entre Moscou e Washington atingiu um nível de tensão próximo ao vivido na Guerra Fria.
A Síria teria concordado com a proposta russa, afirmou nesta terça-feira, em Moscou, o ministro sírio das Relações Exteriores Walid Mualem, segundo agências russas. A União Europeia (UE) também analisa com interesse a proposta russa, mas quer se assegurar de que seja uma iniciativa séria, indicou um porta-voz nesta terça-feira. "Toda proposta que possa reduzir a violência na Síria é bem-vinda e estamos dispostos a ajudar no que for", declarou Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.
