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EUA nega visto a ex-comissário da UE por regulação tecnológica

Thierry Breton entrou em choque com magnatas do setor de tecnologia, como Elon Musk, por fazer cumprir as normas da União Europeia

Medida tem como alvo Thierry Breton, ex-comissário europeu do Mercado Interno e responsável por liderar a regulação digital na Europa
Medida tem como alvo Thierry Breton, ex-comissário europeu do Mercado Interno e responsável por liderar a regulação digital na Europa Foto : THOMAS SAMSON / AFP / CP

O Departamento de Estado americano informou nesta terça-feira (23) que negará o visto a um ex-comissário da União Europeia (UE) e a outros quatro europeus, acusados de tentar "coagir" plataformas de redes sociais americanas a censurar pontos de vista.

"Esses ativistas radicais e ONGs instrumentalizadas impulsionaram medidas de censura por parte de Estados estrangeiros, em cada caso dirigidas contra empresas e representantes americanos", afirmou o Departamento de Estado, em comunicado no qual anunciou as sanções.

A medida tem como alvo Thierry Breton, ex-comissário europeu do Mercado Interno e responsável por liderar a regulação digital na Europa. Breton entrou em choque com magnatas do setor de tecnologia, como Elon Musk, por fazer cumprir as normas da União Europeia.

O Departamento de Estado descreveu Breton como "a mente por trás" da Lei de Serviços Digitais (DSA, sigla em inglês), legislação que impôs medidas de moderação de conteúdo e regras de proteção de dados às principais redes sociais.

Conservadores americanos classificaram a DSA como uma arma de censura contra o pensamento de direita na Europa, acusação que a UE nega enfaticamente. "Volta a soprar um vento de macarthismo?", questionou Breton em sua conta na rede social X, em uma referência à caça às bruxas anticomunista promovida pelo senador americano Joseph McCarthy na década de 1950.

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"Um lembrete: 90% do Parlamento Europeu, eleito democraticamente, e os 27 Estados-membros aprovaram por unanimidade a DSA", acrescentou. "Aos nossos amigos americanos: a censura não está onde vocês pensam."

O visto também será negado a Imran Ahmed, fundador do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, sigla em inglês), que entrou na mira de Musk após a aquisição do Twitter, rebatizado como X. Anna-Lena von Hodenberg e Josephine Ballon, da organização alemã HateAid, também são alvo da proibição.

O Departamento de Estado afirmou que a entidade sem fins lucrativos tem a função de "reforçar" a DSA. Clare Melford, que dirige a organização Global Disinformation Index (GDI), será a quarta pessoa a ter o visto negado pelos Estados Unidos.