Os Estados Unidos sancionaram, nesta quinta-feira (12), 16 funcionários venezuelanos, incluindo a presidente da Suprema Corte, por 'fraude eleitoral' e por repressão à oposição, 'em uma tentativa ilegítima de se manter no poder pela força'. O governo do presidente Joe Biden intervém em resposta à 'fraude eleitoral', para que o presidente Nicolás Maduro e seus representantes sejam responsabilizados por 'obstruir' as eleições presidenciais e 'abusar dos direitos humanos', informou o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.
'Em vez de respeitar a vontade do povo (...) eles se atribuíram falsamente a vitória enquanto reprimiam e intimidavam a oposição democrática em uma tentativa ilegítima de se manter no poder pela força', afirma o comunicado. Os Estados Unidos informaram que já sancionaram mais de 140 pessoas e mais de cem entidades. Entre os sancionados estão líderes da autoridade eleitoral, da Suprema Corte e 'da Assembleia Nacional afiliada a Maduro', além de militares e membros dos serviços de inteligência.
Destacam-se Caryslia Beatriz Rodríguez Rodríguez, presidente do Tribunal Supremo de Justiça; Rosalba Gil Pacheco, reitora do Conselho Nacional Eleitoral; Domingo Antonio Hernández Lárez, o número três das Forças Armadas e responsável pelas operações militares; e Pedro José Infante Aparicio, primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional.
Os 16 funcionários 'impediram um processo eleitoral transparente e a divulgação de resultados eleitorais precisos', afirma o governo de Biden, que desde 28 de julho solicita a divulgação das atas detalhadas.'A Venezuela rejeita, nos termos mais enérgicos, o novo crime de agressão cometido pelo governo dos Estados Unidos da América contra a Venezuela, ao impor medidas coercitivas unilaterais', manifestou-se o Ministério das Relações Exteriores venezuelano em um comunicado. As medidas foram anunciadas 'em um ato grosseiro, que busca se congraçar com uma classe política que lançou mão de práticas fascistas e violentas para derrubar, sem sucesso, a democracia Bolivariana', acrescentou o texto.
As sanções incluem o congelamento dos ativos que os sancionados possuam direta ou indiretamente nos Estados Unidos, bem como a proibição de qualquer pessoa ou empresa americana fazer negócios com eles.
Paralelamente, o Departamento de Estado 'toma medidas para impor novas restrições de visto'.Washington afirma que as 'táticas de intimidação' do governo venezuelano, incluindo a emissão de uma ordem de prisão contra o candidato presidencial 'vitorioso', Edmundo González Urrutia, forçaram-no a deixar a Venezuela e buscar asilo na Espanha.González Urrutia atuou em nome da líder opositora María Corina Machado, após as autoridades a inabilitarem politicamente, impedindo-a de participar das eleições. Machado permanece na Venezuela e afirma que a oposição ganhou as eleições por uma ampla margem.
Setor petrolífero
A proclamação da vitória de Maduro para um terceiro mandato de seis anos desencadeou protestos que resultaram em 27 mortes, cerca de 200 feridos e mais de 2.400 detidos, os quais o líder chavista chama de 'terroristas'.
Os Estados Unidos já impuseram no passado várias sanções a funcionários venezuelanos, incluindo ao próprio Maduro, acusado de narcotráfico por Washington.Washington restabeleceu em abril algumas sanções ao setor de petróleo e gás, após suspender as medidas por vários meses como recompensa a Maduro por estabelecer as bases para as eleições. Washington, no entanto, concede licenças individuais para operar na Venezuela a várias petroleiras, como a americana Chevron e a espanhola Repsol.
Algumas vozes pedem sanções mais drásticas contra o setor petrolífero.O presidente da Comissão Judiciária do Senado americano, o democrata Dick Durbin, apresentou nesta semana um projeto de lei para acabar com a 'fortaleza financeira de Maduro'.'O regime de Maduro utiliza atualmente as receitas petrolíferas, que dependem da participação dos Estados Unidos, para manter seu estado policial', afirma Durbin.