Os Estados Unidos suspenderam nesta segunda-feira as conversações com a Rússia sobre a reativação de um cessar-fogo na Síria e a criação de equipes conjuntas para enfrentar os extremistas, informou o departamento de Estado. O regime sírio realiza, há onze dias, com a ajuda da Rússia, uma vasta ofensiva contra bairros controlados pelos rebeldes em Aleppo, com base de bombardeios em massa, o que tem indignado os países ocidentais. "Esta não é uma decisão tomada sem pensar", afirmou John Kirby, porta-voz do departamento de Estado, acusando a Rússia e seu aliado sírio pela intensificação dos ataques em áreas civis.
Por sua parte, a Casa Branca defendeu a decisão de por fim às conversações de cessar-fogo, acusando Moscou de bombardear civis. "A paciência de todo mundo com a Rússia se esgotou", declarou Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca. "Lamentamos a decisão de Washington", respondeu a chancelaria russa por meio de sua porta-voz, Maria Zakharova.
Apesar da suspensão das negociações, Estados Unidos e Rússia seguirão trocando informações para evitar qualquer incidente entre seus aviões no espaço aéreo sírio, destacou o departamento de Estado.
O delegado da ONU para a Síria expressou sua decepção pela suspensão do diálogo entre Estados Unidos e Rússia para tentar reavivar a trégua, mas prometeu continuar trabalhando para uma solução política para que o país, devastado pela guerra, possa sair do conflito. "A ONU vai continuar impulsionando energicamente uma solução política do conflito na Síria, apesar do decepcionante rompimento das intensas e longas discussões entre os atores-chave em nível internacional", disse o escritório de Staffan de Mistura em um comunicado.
De Mistura esperava que o cessar-fogo ajudasse a tirar do impasse as conversações de paz, e lamentou profundamente "a suspensão do diálogo para uma trégua, em especial na cidade de Aleppo". O gabinete do delegado da ONU reafirmou que o pessoal humanitário "vai seguir com seu árduo trabalho de assistir à entrega de ajuda aos civis vulneráveis na Síria". "A ONU jamais vai abandonar o povo sírio neste conflito violento sem fim".
No setor rebelde de Aleppo, o maior hospital da região foi completamente destruído nesta segunda-feira por bombardeios. Moscou, que destaca a "grande eficiência" de seus bombardeios, nega ter atacado hospitais ou escolas. "As acusações de que a Rússia bombardeou instalações médicas, hospitais e escolas não têm qualquer fundamento", declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Guennadi Gatilov, considerando que a intervenção da força aérea russa ajudou a "evitar um caos absoluto" na Síria.
Segundo Adham Sahlul, da SAMS (Syrian American Medical Society), uma ONG médica, "o hospital M10, o maior do leste de Aleppo, foi destruído e ficou fora de serviço de forma permanente". "Tememos que o prédio desabe sobre a parte subterrânea do hospital (...). Tememos pelo pessoal", declarou Sahlul. De acordo com a SAMS, o bombardeio deixou três mortos entre o pessoal da manutenção do centro médico.
EUA suspendem conversações com Rússia sobre cessar-fogo na Síria
Russos comandam ofensiva com governo contra bairros controlados por rebeldes