"Nossas tropas vão estar de volta nos feriados de fim de ano", prometeu o presidente. "A longa guerra no Iraque vai chegar ao fim", destacou ao ressaltar que a transição no Afeganistão também será ampliada.
A medida assinala o iminente fim da guerra que custou aos Estados Unidos mais de US$ 800 bilhões e a vida de 3.525 militares norte-americanos. Obama fez o anúncio após ter falado com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, sobre o treinamento e o fornecimento de equipamentos para as forças iraquianas. O primeiro-ministro vai visitar a Casa Branca em dezembro.
"Afinal, o Iraque terá alguns dias difíceis pela frente", disse Obama. "Os Estados Unidos vão continuar a ter interesses num Iraque que é estável, seguro e autoconfiante".
Promessa de campanha
Obama cumpre uma promessa de campanha, reforçada em 27 de fevereiro de 2009, logo após tomar posse, na base de Camp Lejeune, na Carolina do Norte.
Integrantes do governo Obama haviam considerado a possibilidade de estender a presença norte-americana para além do final deste ano, deixando um contingente de 3 mil a 5 mil homens para questões de contingência. A proposta era controversa e dividiu integrantes do governo. Mas o anúncio presidencial encerrou e debate e marca o fim da presença militar norte-americana em território iraquiano.
Tropas americanas estão há oito anos em território iraquiano | Foto: Roslan Rahman / AFP / CP
Guerra começou em 2003
O segundo conflito norte-americano no Iraque começou em 20 de fevereiro de 2003. As sirenes de alarme na capital iraquiana, Bagdá, soaram às 5h45min (23h45min em Brasília), quando foram lançados mísseis tipo Cruise contra “alvos de oportunidade”. O primeiro bombardeio, chamado de “ataque de decapitação”, teve como alvo principal Saddam Hussein, além de altas autoridades iraquianas, disseram fontes do governo dos EUA. Um dos mísseis atingiu o Sul de Bagdá, onde estaria uma estação de energia elétrica. Outros alvos teriam sido um hotel onde dirigentes iraquianos estariam reunidos e um bunker que abrigaria Saddam Hussein.
Foram usados pelo menos 24 mísseis Tomahawk e vários caças “invisíveis” F117-A. O bombardeio durou 15 minutos. Trinta minutos após o primeiro ataque foram lançados mísseis no Sudeste de Bagdá. Um terceiro ataque, também respondido pelas baterias antiaéreas, ocorreu às 6h36min locais. Às 7h55min locais as sirenes voltaram a soar.
Meia hora após o início dos bombardeios, George Bush fez um pronunciamento anunciando o início da guerra. “Nesse momento, as forças americanas iniciaram suas operações para desarmar o Iraque e libertar seu povo”, afirmou.
Queda de Bagdá
Em 9 de abril, regime iraquiano entrou em colapso com a tomada de Bagdá. Cenas de celebração se misturavam às de distúrbio. Centenas de pessoas saíram às ruas rasgando pôsteres do ditador e invadindo prédios do governo. No centro de Bagdá, foi protagonizada uma imagem típica da queda de regimes ditatoriais: a derrubada de uma das centenas de estátuas gigantescas do ex-líder. Um grupo de mais de cem iraquianos se reuniu em torno da escultura e foi ajudado por fuzileiros navais norte-americanos para derrubar a estrutura. O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse que Saddam Hussein passou a ocupar seu “lugar de direito” ao lado de ditadores derrubados.
Prisão e execução de Saddam Hussein
Entretanto, apesar da conquista de Bagdá, Saddam conseguiu escapar. A sua captura só ocorreu meses mais tarde, em 13 de dezembro de 2003. Com a barba grande e com uma figura que em pouco lembrava o altivo ditador, ele foi preso na cidade de Tikrit, Norte do país.
Julgado e condenado à morte, o Saddam Hussein foi enforcado em 30 de dezembro de 2006. Suas últimas palavras foram uma advertência ao povo iraquiano: “Não confiem na coalizão iraquiana. Essa gente é perigosa”.