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Europeus começam a fechar embaixadas no Iêmen

Depois de renúncia presidencial, milicianos xiitas ocuparam palácio presidencial no fim de janeiro

Milícia xiita entrou na capital em setembro e tomou no fim de janeiro o controle do palácio presidencial
Milícia xiita entrou na capital em setembro e tomou no fim de janeiro o controle do palácio presidencial Foto : Mohammed Huwais / AFP / CP
A França recomendou nesta quarta-feira aos franceses que residem no Iêmen que deixem o país o mais rápido possível e anunciou o fechamento provisório da embaixada a partir de sexta-feira. "Levando em consideração os últimos acontecimentos políticos e por razões de segurança, a embaixada recomenda que deixem provisoriamente o Iêmen, o mais rápido possível", afirma um comunicado publicado no site da embaixada francesa.

O Reino Unido também suspendeu as atividades da embaixada no Iêmen temporariamente e retirou os funcionários diplomáticos do país. "A situação de segurança no Iêmen seguiu piorando nos últimos dias. Consideramos que, lamentavelmente, os funcionários e a sede da embaixada estão em perigo", disse o ministro encarregado para o Oriente Médio, Tobias Ellwood.

Estados Unidos também se pronunciaram a respeito da embaixada no Iêmen

O Departamento de Estado americano informou na terça-feira que a embaixada permanecerá fechada por tempo indeterminado. Os funcionários diplomáticos e seus parentes foram retirados do país. "Em 11 de fevereiro de 2015, em consequência da deterioração das condições de segurança em Sanaa, o Departamento de Estado suspendeu as operações na embaixada e os funcionários americanos foram levados para fora do país", afirma uma advertência de viagens da diplomacia americana. "Todos os serviços consulares, de rotina e/ou emergência, foram suspensos até novo aviso", completa a nota.

Situação no Iêmen

O presidente do Iêmen, Abd Rabbo Mansur Hadi, anunciou no dia 22 de janeiro renúncia, que foi imediatamente rejeitada pelo Parlamento, no momento em que o país afunda em uma profunda crise política.

Na carta de demissão, Hadi avalia que o país chegou a uma situação de "impasse total". Ele explicou sua decisão pelo fato de que a entrada de milicianos xiitas em Sanaa, em 21 de setembro, "afetou o processo de transição política que queríamos que fosse pacífica". "Eu avalio (hoje) não ter sido capaz de alcançar o objetivo para a realização daquilo para o qual nós assumimos a responsabilidade" no comando do Estado, prosseguiu.

Segundo o entorno de Hadi, o presidente demitiu-se após ter sofrido enormes pressões dos milicianos Ansaruallah, que controlam a capital Sanaa e reivindicaram que ele designe a cargos de alta responsabilidade vários de seus quadros, um deles como vice-presidente. "Nós sofremos várias dificuldades e a reticência de protagonistas políticos em assumir sua responsabilidade para conduzir o Iêmen a águas calmas", acrescentou o presidente em sua carta demissionária.

O Parlamento rejeitou o pedido e imediatamente convocou uma sessão especial para discutir a crise política. A renúncia de Hadi foi apresentada pouco depois da do governo do premiê Khaled Bahah e no momento em que os milicianos xiitas reforçam o seu controle sobre a capital Sanaa.

O porta-voz governamental afirmou que a renúncia do governo era "irrevogável". Em sua carta de demissão, o primeiro-ministro Khaled Bahah justificou a sua decisão para "evitar ser, bem como os membros de seu gabinete, responsabilizado por aquilo que acontece e pelo que vai acontecer no Iêmen".

O primeiro-ministro precisou negociar a saída de sua residência no centro de Sanaa, que estava cercada pelos milicianos xiitas, assim como o palácio presidencial. Os combatentes xiitas da Ansaruallah anunciaram na sexta-feira a dissolução do Parlamento e a instauração de um novo governo, depois de forçar a renúncia do presidente Hadi e do primeiro-ministro Jaled Bahah.

A milícia xiita, que procede da minoria zaidita, entrou na capital em setembro e tomou no fim de janeiro o controle do palácio presidencial e de outras instituições do Estado e do governo. Desde a renúncia, o chefe de Estado e o primeiro-ministro estão em prisão domiciliar.