“Para o Brasil, (não vai haver consequência) nenhuma, afinal a Venezuela não é sustentáculo para o país em nada. O que vai haver é um vazio no Mercosul e dependendo de quem vier a assumir o poder, pode ser que haja um relançamento (da nação) no bloco com uma nova face, mas isso também vai depender de quem serão os atores (políticos no país) daqui a três, seis meses”, disse, lembrando que as relações entre Brasil e Venezuela eram mais fortes durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que são atualmente, na gestão da presidenta Dilma Rousseff.
A Venezuela foi incluída no Mercosul em julho de 2012, mas a adesão completa do país ao bloco só será concluída em 5 de abril deste ano, devido à necessidade de adequação da nomenclatura e de normas de vários produtos do país às definições do Mercosul. O bloco é composto por Brasil, pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Paraguai, que está temporariamente suspenso.
O professor Ricardo Caldas também descartou uma intervenção política do bloco na Venezuela, como houve no ano passado com o Paraguai, quando o então presidente Fernando Lugo foi destituído do cargo, em junho, após aprovação do impeachment pela Câmara e pelo Senado. A iniciativa foi considerada o rompimento da ordem democrática no país por líderes políticos sul-americanos, que aprovaram a suspensão temporária do Paraguai do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
“A tendência é que a Venezuela resolva seus próprios problemas”, disse, referindo-se ao impasse sobre a posse do presidente Hugo Chávez, marcada para o próximo dia 10. Caso Chávez, que foi reeleito em outubro, não possa assumir, a Constituição prevê que haja nova eleição para a Presidência da República em um prazo de até 30 dias. Interinamente o país deve ficar sob o comando do presidente da Assembleia Nacional (Parlamento) Venezuelana, mas alguns setores defendem que a data da posse seja adiada até que Chávez esteja com a saúde plenamente recuperada.
Embora a questão não tenha sido solucionada, até o principal nome da oposição, Henrique Capriles, disse ser favorável à alteração na data. Atualmente, o posto de presidente interino é ocupado pelo vice-presidente, Nicolás Maduro. Há cerca de um mês Chávez está hospitalizado em Havana para tratamento de combate ao câncer. No último dia 11, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno na região pélvica. Durante o procedimento, ele sofreu uma hemorragia e depois teve complicações respiratórias.