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Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista

Pontífice está na Bolívia na sua peregrinação pela América Latina

Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista
Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista Foto : Juan Carlos Usnayo / AFP / CP
Em cerimônia reservada, o presidente da Bolívia, Evo Morales, presenteou o Papa Francisco com um crucifixo de madeira onde a imagem de Jesus aparece sobre o símbolo comunista da foice e do martelo. Ao receber o "presente", o papa olha fixamente para o presidente boliviano de forma sisuda. Segundo o chefe do cerimonial do Papa, Francisco disse para o presidente boliviano que "isso não está bem".

O sumo pontífice está em visita ao país latino-americano desde quarta-feira. Em Santa Cruz de La Sierra,  Francisco rezou uma missa onde criticou a "lógica que busca transformar tudo em objeto de troca, de consumo, tudo negociável", a uma multidão reunida na grande Praça de Cristo Redentor, no centro da cidade.

Em sua homilia, pronunciada pela primeira vez a milhares de índios de várias etnias da Bolívia, quechuas e aymaras, que vieram de diferentes regiões do país, Francisco falou dos esquecidos e descartados no mundo, particularmente as mulheres, que "carregam sobre os ombros (...) as injustiças que não parecem parar", lamentou.

O chefe da Igreja Católica advertiu todos os bolivianos que um povo sem memória ou uma "memória anestesiada" se torna "individualista", "enfraquece as esperanças" e "perde a alegria". Esse conceito ele já havia tratado no Equador, primeira etapa de sua viagem à América do Sul, que começou no domingo e que termina oito dias depois no Paraguai.

Francisco aproveitou para pedir um diálogo franco e aberto, de modo a “evitar conflitos entre países irmãos”, referindo-se ao conflito territorial entre os dois países latino-americanos. “Estou pensando no mar. Em diálogo, diálogo”, disse o sumo pontífice no seu discurso na catedral de La Paz.

Durante a Guerra do Pacífico, no final do século XIX, a Bolívia perdeu sua costa para o Chile, tornando-se um país sem saída para o mar. A Bolívia quer que o Tribunal Internacional de Justiça de Haia obrigue o Chile a negociar uma solução para a restituição de uma saída para o Pacífico, perdida em 1879.