Na madrugada deste sábado, o Exército lançou ofensivas em busca de opositores nas províncias de Homs (centro) e Deraa (sul), matando um civil, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A cidade de Homs foi alvo de bombardeios das forças governamentais durante a noite, que mataram um rebelde.
Milhares de opositores sírios se mobilizaram na sexta-feira em protesto pelo massacre de 49 crianças em Houla (centro), ocorrido no dia 25 de maio, e as forças do regime abriram fogo contra os manifestantes em Damasco e Aleppo (norte), entre outras localidades.
Autoridades do Exército Sírio Livre, força de oposição composta principalmente por desertores, anunciaram que retomavam as "operações de defesa", deixando de lado os compromissos assumidos no âmbito do plano Annan.
Os líderes internacionais advertiram para o crescente risco de guerra civil total, mas deixaram claras as suas divergências quanto à forma de se chegar ao fim da violência, que deixou mais de 13 mil mortos desde março de 2011.
"Vemos elementos precursores de uma guerra civil. Isso é extremamente perigoso", declarou em Berlim o presidente russo, Vladimir Putin, maior aliado do regime de Bashar al-Assad, ao mesmo tempo em que considerou impossível resolver a crise "pela força" e preferiu uma "solução política". O presidente francês, François Hollande, considerou que não havia "solução possível" na Síria sem "a saída de Bashar al-Assad".
Já a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, acusou a Rússia de fornecer armas ao regime sírio, o que gerou uma rápida resposta de Moscou, que mencionou uma ajuda financeira estrangeira e a entrega de armas aos rebeldes no massacre de Houla.
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, indicou neste sábado ter escrito ao Conselho para pedir que "realize todas as ações necessárias para proteger o povo sírio" diante da repressão. Não evocou, no entanto, uma intervenção militar, declarou ele pouco antes do início de uma reunião ministerial árabe para abordar a crise síria. Esta reunião, realizada no Qatar na presença de Annan, deve "examinar várias ideias novas".
Em Genebra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU deu autorização, apesar da oposição russa e chinesa, para uma investigação internacional independente sobre o massacre de Houla, no qual 108 pessoas morreram. No Líbano, os confrontos sectários influenciados pela situação na Síria se intensificam a cada dia.