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Ex-comandantes de EUA e Rússia alertam para risco de arsenais nucleares

Relatório denuncia perigo de mecanismos de respostas automatizadas com bombas atômicas

Ex-comandantes militares de Estados Unidos e Rússia defenderam nesta quinta-feira o fim do estado de "alerta preventivo" nos mísseis nucleares. Eles advertiram para o grave risco de desastre atômico que a medida representa, especialmente na era dos ciberataques. Eles criaram um relatório sobre os riscos crescentes dos mecanismos de resposta rápida que permitem lançar centenas de armas nucleares em minutos.

De acordo com eles, o nível de alerta preventivo é um legado "anacrônico" da Guerra Fria, quando EUA e Rússia temiam um devastador primeiro golpe para "decapitar" uma força nuclear completa do país inimigo, destaca o relatório do Global Zero, grupo que defende o desarmamento. "Centenas de mísseis, com quase 1,8 mil ogivas nucleares, estão prontos para voar em um instante. Estas posturas herdadas da Guerra Fria são anacronismos, mas permanecem completamente operacionais."

O estado de alerta preventivo, aplicado à metade dos arsenais americanos e russos, é particularmente perigoso em uma era na qual "os tempos de aviso e de decisão são curtos, com a possibilidade cada vez maior de um potencial erro humano fatídico nos sistemas de controle nuclear". A crescente ameaça de um ciberataque também aumenta os riscos, abrindo caminho para falsos alarmes e até para o "sequestro" dos sistemas de controle de armas, adverte o relatório.

O texto apela a Estados Unidos e Rússia para que renunciem aos acordos de alerta preventivo e estabeleçam um prazo antes do lançamento de uma bomba nuclear. "Estes sistemas foram construídos nos anos 50, 60, 70 e 80, são antigos e sujeitos a alarmes falsos", disse o general James Cartwright, responsável no passado pelo arsenal nuclear americano.