O ex-ditador argentino Jorge Videla foi acusado nesta segunda-feira de liderar um plano de extermínio de opositores durante a última ditadura (1976-1983), em julgamento na província de Córdoba, pelo fuzilamento de 31 presos políticos em cadeias da região. Os assassinatos ocorreram no seu primeiro ano de governo. A maioria executada durante traslados autorizados por um juiz, em meio a falsas tentativas de fuga, plantadas para justificar os crimes, segundo o processo.
Videla, 84 anos, foi acusado como máxima autoridade do governo de fato que implementou um "plano clandestino de extermínio de dissidentes políticos", por "imposição de tormentos agravados, tormentos seguidos de morte e homicídio qualificado", conforme o tribunal. Essa é a primeria vez que ex-ditador volta ao banco dos réus desde 1985, quando foi condenado à prisão perpétua no histórico julgamento das juntas militares.
Seis dos envolvidos são acusados também do sequestro e tortura de outras seis vítimas em Córdoba. Também irá depor o ex-chefe militar Luciano Benjamín Menéndez, que, em julgamentos recentes, foi condenado à prisão perpétua em duas ocasiões por crimes de lesa-humanidade.
Videla foi indultado em 1990 pelo então presidente Carlos Menem (1989-1999), cinco anos depois do julgamento das juntas militares. Em 1998, foi processado por roubo de bebês (crime não afetado pelo indulto) e três anos mais tarde por sua responsabilidade no Plano Côndor, de coorderação repressiva das ditaduras sul-americanas nos anos 1970 e 1980. Depois da anulação em 2003 da lei da anistia, somou outras imputações.
As audiências ocorrem nos tribunais de Córdoba e se estenderão até o fim do ano. Em torno de 60 testemunhas devem dar seus depoimentos.
Ex-ditador argentino é acusado de liderar plano de extermínio
Jorge Videla retorna ao banco dos réus pela primeira vez em 25 anos