O tribunal também suprimiu, em 2005, a lei de anistia para os crimes da ditadura. A partir daí, vários processos foram abertos contra Jorge Videla, católico fervoroso que fazia-se de moderado até liderar o golpe de 24 de março de 1976 e dirigir o país até 1981. Esses anos foram os mais duros do regime militar. Em Córdoba (centro), o ex-general estava sendo julgado desde o início de julho junto com outros 29 repressores pela execução de 31 presos políticos.
Entre os julgados está o ex-general Luciano Menendez, já condenado à prisão perpétua por três vezes em processos por violação aos direitos do homem. Processado por roubos de bebês de presos políticos, um crime não acobertado pelo perdão de 1990, Videla foi colocado em prisão domiciliar de 1998 a 2008. Depois disso, ele foi transferido para uma unidade prisional em detenção preventiva enquanto aguardava os múltimos julgamentos.
A partir de 2001, Videla foi também processado por sua participação no Plano Condor, coordenado pelas ditaduras de Argentina, Chile, Paraguai, Brasil, Bolívia e Uruguai para eliminar opositores. "Assumo plenamente minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens", destacou Videla no tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredicto.
No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá "sob protesto a injusta condenação que possam me dar". "Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos", disse Videla.
Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas "não mais precisam da violência para chegar ao poder porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de (Antonio) Gramsci (téorico marxista italiano)".