Mundo

Ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia acusa Trump de “pressionar vítima”

Zelensky esteve com presidente turco, Tayyip Erdogan, mas não participou das negociações
Zelensky esteve com presidente turco, Tayyip Erdogan, mas não participou das negociações Foto : Presidência da Turquia / AFP / CP

A ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia Bridget Brink declarou nesta sexta-feira que pediu demissão em abril devido às políticas do presidente republicano Donald Trump, quem acusa de “pressionar a vítima” e favorecer a Rússia. Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, Trump reverteu a política adotada por seu antecessor democrata, Joe Biden, em relação à Ucrânia, diminuindo a ajuda militar, aproximando-se da Rússia e frequentemente culpando o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em vez de seu contraparte russo, Vladimir Putin, pela continuação da guerra.

O mandatário republicano pressiona ambas as partes para que cheguem a um acordo de paz, mas as negociações terminaram nesta sexta-feira em Istambul com poucas expectativas de um avanço. "Não posso ficar parada e não fazer nada enquanto um país é invadido, uma democracia é bombardeada e crianças são mortas impunemente”, afirmou Bridget, em um artigo publicado no Detroit Free Press. "Acho que a única forma de garantir os interesses dos Estados Unidos é defender as democracias e fazer oposição aos autocratas. A paz a qualquer preço não é a paz absoluta: é apaziguamento”, acrescentou.

O Departamento de Estado anunciou em abril a demissão da diplomata, nomeada por Biden e que trabalhou para cinco presidentes. Ela assumiu o cargo de embaixadora em Kiev em maio de 2022, três meses após a Rússia invadir seu vizinho, o que mobilizou as potências ocidentais lideradas pelos EUA a armar e apoiar a Ucrânia.

A ex-embaixadora reconhece que seu trabalho é aplicar as políticas da Casa Branca, mas critica as do presidente americano. "Infelizmente, a política desde o início do governo Trump tem sido pressionar a vítima, a Ucrânia, em vez do agressor, a Rússia”, declarou. “Assim, não poderia mais realizar de boa fé a política do governo”, acrescentou.

Veja Também