De acordo com fontes da companhia Aeroflot, citada por agências de notícias russas, Snowden viajará para Caracas com escala em Moscou e Havana. Ele não foi visto no terminal e nem entre os passageiros que passaram pelo controle de passaportes no Terminal C do aeroporto, onde o avião pousou, segundo um jornalista da AFP.
Vários passageiros contaram que viram um veículo estacionado na pista ao lado do avião, o que poderia indicar que ele deixou o aeroporto desta forma. O governo de Hong Kong Declarou não ter "bases legais" para evitar a partida do ex-consultor de 30 anos, justificando que o governo dos Estados Unidos, que o acusa de espionagem, roubo e uso indevido de propriedade do governo, não entregou até a sexta-feira informações suficientes para justificar a sua detenção e eventual extradição.
O WikiLeaks, organização fundada por Julian Assange, prestou apoio a Snowden e indicou em um comunicado que o ex-agente americano viaja "com destino a uma nação democrática, passando por uma rota segura para buscar asilo". Snowden estaria acompanhado de "assessores jurídicos do WikiLeaks".
Em seu comunicado a organização de Assange, que se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, cita o ex-juiz Baltasar Garzón, que declarou que estar interessado "em preservar os direitos de Snowden", assim como protegê-lo como "pessoa". "O que tem acontecido com Snowden e Assange é uma agressão contra o povo", ressaltou.
Desde 5 de junho, quando foram publicados os primeiros artigos nos jornais The Guardian e The Washington Post, Snowden revelou muitos detalhes sobre o monitoramento realizado pela NSA nos Estados Unidos e no exterior. No domingo, o Sunday Morning Post assegurou que a NSA interceptou "milhões" de mensagens de texto enviadas pela rede de telefonia móvel chinesa.
A China reagiu fortemente a esta última informação. A agência Nova China chamou os Estados Unidos de o "maior vilão do nosso tempo" em termos de ciberataques. A NSA, segundo Snowden, também hackeou em 2009 os servidores da Pacnet, uma empresa com sede em Hong Kong, que administra a rede de fibra óptica mais extensa da região, bem como a prestigiada Universidade de Tsinghua, em Pequim, onde estão localizadas as seis principais redes através das quais se pode acessar informações na internet de milhões de chineses.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos declarou neste domingo que irá pedir a cooperação das autoridades judiciárias dos países para os quais o ex-consultor da NSA poderia buscar asilo. E o diretor da agência, o general Keith Alexander, anunciou a implementação de novas medidas de segurança para impedir o vazamento de informações.