Os juízes também proibiram Miceli de exercer cargos públicos por oito anos, segundo a leitura transmitida diretamente pela TV, na primeira condenação de uma funcionária dos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua sucessora, Cristina Kirchner.
A ex-funcionária, de 60 anos, antecipou que apelará à decisão do tribunal. "Não consigo entender, há gravíssimos casos de corrupção nos quais ninguém vai a julgamento", disse a ex-ministra ao sair do tribunal de Buenos Aires.
Felisa foi condenada por ter guardado no banheiro de seu gabinete do Ministério da Economia cerca de 31.730 dólares e 100 mil pesos (agora 20,4 mil de dólares) em dinheiro, que ela atribuiu a uma operação imobiliária privada.
Por isso, a funcionária renunciou ao cargo no dia 16 de julho de 2007, cinco meses antes da conclusão do mandato de Néstor Kirchner. A bolsa com o dinheiro foi encontrada no dia 5 de julho de 2007 por um bombeiro que fazia uma inspeção de segurança no gabinete da ministra, que não se encontrava no local.
A promotoria acusou então Miceli de guardar dinheiro em espécie para ocultar sua origem ilegal. Em suas últimas palavras diante do tribunal, a ex-ministra afirmou que "sou uma pessoa que sempre viveu do trabalho, seguindo uma linha de conduta", com todos os bens declarados.
Miceli insistiu que o dinheiro veio de um empréstimo de um irmão, falecido há três meses, e de uma amiga; e que seria utilizado para comprar uma casa. O dinheiro ficou no banheiro do gabinete por "esquecimento". Outros dois ex-funcionários dos governos "kirchner" acusados judicialmente são os ex-secretários de Transportes Ricardo Jaime e Juan Pablo Schiavi, mas ainda sem condenação.