O ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por narcotráfico, foi libertado após receber o perdão do presidente Donald Trump, informou sua esposa nesta terça-feira (2).
O indulto e a libertação ocorrem em meio à movimentação dos Estados Unidos no mar do Caribe e no oceano Pacífico, em uma operação que Washington afirma ter como objetivo conter o tráfico de drogas para o país. O evento também coincide com a pressão de Trump a favor do candidato de direita Nasry Asfura nas disputadas eleições em Honduras, realizadas no último domingo.
Libertação em meio a pressão política e eleitoral
Hernández, de 57 anos, foi libertado de um presídio na Virgínia Ocidental na segunda-feira e é "novamente um homem livre", anunciou sua esposa, Ana García de Hernández, nas redes sociais. A ex-primeira-dama declarou ao canal Televicentro de Honduras que o ex-mandatario foi liberado na noite de segunda-feira e "transferido para um lugar seguro".
A libertação ocorreu antes do resultado das eleições presidenciais em Honduras, realizadas sob forte pressão de Trump. O republicano entrou na disputa eleitoral do país centro-americano pedindo votos para Nasry Asfura, do mesmo partido do ex-mandatário libertado, sob pena de cortar a cooperação com Honduras. Asfura, um magnata da construção e ex-prefeito da capital hondurenha, Tegucigalpa, compete em uma corrida acirrada contra o apresentador de televisão Salvador Nasralla, Partido Liberal (direita).
Condenação por "Narcoestado" e acusações de fraude
Juan Orlando Hernández governou Honduras de 2014 a 2022 e foi extraditado para os EUA poucas semanas após deixar o cargo, quando a atual presidente, a esquerdista Xiomara Castro, assumiu o poder.
Em março de 2024, um júri de Nova York o declarou culpado de facilitar a entrada nos Estados Unidos de cerca de 400 toneladas de cocaína – principalmente da Colômbia e da Venezuela – através de Honduras. Segundo a Justiça americana, Hernández transformou Honduras em um "narcoestado". De acordo com a Promotoria, ele participou e protegeu uma rede de traficantes, em troca de quantias milionárias, entre eles o mexicano Joaquín 'Chapo' Guzmán.
Indulto de Trump e Críticas do Congresso Americano
O indulto de Trump, no entanto, foi alvo de fortes críticas. O ex-presidente americano considera que Hernández foi vítima de uma "armação" de seu antecessor, Joe Biden, e disse, ao anunciar o perdão na semana passada, que o ex-presidente hondurenho foi "tratado de forma muito dura e injusta".
A decisão foi duramente criticada por congressistas americanos, especialmente por coincidir com a operação americana contra o narcotráfico no Caribe. O senador democrata Ed Markey questionou no X: "Trump está destruindo ilegalmente barcos no Caribe, supostamente para deter a entrada de drogas nos Estados Unidos. No entanto, indulta o ex-presidente de Honduras que foi condenado por enviar cocaína aos Estados Unidos". O senador republicano Bill Cassidy também questionou: "Por que concederíamos indulto a este sujeito e depois iríamos atrás de Maduro por traficar drogas para os Estados Unidos?".