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Ex-procuradora Ortega denuncia corrupção na Venezuela e tem forte apoio regional

Luisa afirma contar com "muitas provas" que envolve Nicolás Maduro em ocultação de investigações

Luisa afirma contar com "muitas provas" que envolve Nicolás Maduro em ocultação de investigações
Luisa afirma contar com "muitas provas" que envolve Nicolás Maduro em ocultação de investigações Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP
A ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega assegurou nesta quarta-feira, em Brasília, contar com "muitas provas" que envolvem em redes de corrupção o presidente Nicolás Maduro, a quem acusou de favorecer a ocultação de investigações sobre casos de corrupção, narcotráfico e terrorismo.

A ex-funcionária disse ter recebido ameaças de morte e recebeu um forte apoio de seus pares sul-americanos reunidos em uma cúpula, antes de ser recebida pelo chanceler brasileiro, Aloysio Nunes. "O que acontece na Venezuela é a morte do Direito. A estabilidade da região está em perigo", disse a ex-funcionária, acolhida como "legítima procuradora-geral da Venezuela", nas palavras do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Não há garantias de que na Venezuela alguma investigação relacionada ao crime organizado, ao tráfico de drogas e à corrupção tenha uma condenação, uma sanção [...], porque o mais provável é que as provas obtidas, provas que sejam enviadas à Venezuela, desapareçam", afirmou.

"Há muitos interesses na Venezuela para que não investiguem os casos de corrupção, os casos relacionados ao tráfico de drogas, ao terrorismo", insistiu Ortega, que fugiu na sexta-feira para a Colômbia, onde lhe foi oferecido asilo político.

Caracas a busca por suposta participação em um esquema de corrupção e anunciou que vai pedir sua captura via Interpol, mas Ortega não parece temer uma eventual extradição. "Continuarei lutando, continuarei percorrendo o mundo para denunciar o que acontece na Venezuela e denunciar a violação aos direitos humanos", declarou.

O ponto de ruptura, detalhou, foi a formação no país de uma Assembleia Constituinte, que suplantou o Poder Legislativo "vulnerabilizando a soberania popular".

O fantasma da Odebrecht

A dissidente disse ter "muitas provas, e concretamente no caso relacionado à empreiteira Odebrecht, que comprometem muitos funcionários venezuelanos de alto escalão, começando pelo presidente da República", assim como dois de seus principais substitutos, "os membros da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello e Jorge Rodríguez".

Ortega antecipou que cederia esse material a outros países para que avancem com as investigações e afirmou que no caso Odebrecht detectou que Cabello, um dos homens fortes da Venezuela, recebeu "100 milhões de dólares de uma empresa denominada espanhola [...] cujos proprietários são seus primos".

A empreiteira confessou ter dado propinas a funcionários de América Latina e África, uma ação que colocou em xeque presidentes e ex-presidentes, e desatou um confronto entre o poder judiciário e político em vários países. Ortega disse que tudo isso faz com que tema por sua vida. "Tenho ameaças que podem atentar contra a minha vida e responsabilizo o governo venezuelano se isso chegar a acontecer", assinalou a ex-funcionária de 59 anos, que planeja voltar para Bogotá.

Procuradores solidários

O governo do presidente Michel Temer questionou duramente o processo venezuelano. No entanto, o Brasil se vê mergulhado em escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato, que tem a Odebrecht como uma das principais envolvidas.

A investigação alcançou Temer, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor e Dilma Rousseff, e tem em sua mira ministros e dezenas de legisladores. "O Brasil como um todo, o presidente Temer, a sua política externa, realmente está num momento de declínio, perdeu muito a importância que teve no passado, mas tem novos atores que estão despontando no reconhecimento internacional da Lava Jato.

Juízes federais brasileiros, o Ministério Público, a Polícia Federal, ganharam um reconhecimento externo importante também", disse Mauricio Santoro, especialista em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).