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Executivo do Google ganha status de herói em revolta egípcia

Wael Ghonim passou 12 dias preso e após foi aclamado na praça Tahrir

Executivo do Google ganha status de herói em revolta egípcia
Executivo do Google ganha status de herói em revolta egípcia Foto : AFP / CP
O ciberativista Wael Ghonim, um jovem executivo do Google, liderou milhares de manifestantes favoráveis à democracia no Egito e se catapultou como estrela entre os jovens, graças ao Facebook. No país, mais da metade da população nasceu depois de o presidente Hosni Mubarak ter tomado o poder, há 30 anos.

Em parte marqueteiro, e em parte um 'cyber-geek' engajado, o executivo de 30 anos que lançou em 25 de janeiro um chamado para protestar contra o regime egípcio tem a aparência de um político em ascensão e um ar de intelectual.

Como ocorreu durante a revolução na Tunísia, os internautas egípcios modificaram o famoso slogan do presidente americano, Barack Obama, e disseram: "Yes, we can too" ("sim, nós podemos também"). Ghonim - diretor de marketing do Google para Oriente Médio e América do Norte, mora em Dubai - viajou ao Cairo dois dias antes de as revoltas anti-Mubarak começarem.

Já elevado ao status de campeão anônimo da oposição, mobilizando manifestantes pró-democracia por meio de uma página no Facebook, Ghonim foi preso em 27 de janeiro. Os serviços de segurança detiveram e interrogaram Ghonim por 12 dias, durante os quais a praça Tahrir, epicentro dos protestos no Egito, encheu de gente que pedia a saída de Mubarak. Na terça-feira, um dia depois de sua libertação, ele fez uma entrada triunfante na praça, onde foi elevado ao status de herói.

"Não sou herói, vocês são os heróis, vocês são os que ficaram na praça", disse Ghonim à multidão eufórica que cantava nos intervalos: "Vida longa ao Egito, vida longa ao Egito!" e "nós queremos que o regime caia!".

Em uma coletiva de imprensa realizada posteriormente, Ghonim disse que não era possível chamar a revolta de "revolução do Facebook". "Depois de ver as pessoas agora, eu diria que esta é uma revolução do povo egípcio. É maravilhoso", disse.

Em uma entrevista à emissora egípcia Dream 2, Ghonim revelou ter sido o criador da página no Facebook "Nós todos somos Khaled Said", em homenagem ao jovem morto pela polícia em Alexandria em junho ao sair de um cybercafé.

Enquanto a emissora transmitia imagens de jovens "mártires" que morreram, Ghonim chorou. "Gostaria de dizer a cada mãe, cada pai que perdeu seu filho, me desculpe. Não é nossa culpa, eu juro, não é nossa culpa. É culpa de todos que estão no poder e querem se prender a ele", afirmou.

Ele evitou amplamente a mídia tradicional, preferindo comunicar-se diretamente por redes sociais. Sua página no Facebook tinha 90 mil fãs antes de sua libertação, hoje conta com 220 mil.

As autoridades egípcias lançaram um diálogo nacional com a oposição, mas os jovens reuniram-se na praça Tahrir para rejeitar a participação – e enquanto eles ainda não têm um líder, aparentemente já têm um porta-voz.

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