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Famílias de estudantes gaúchos relatam angústia e alívio após resgate em Israel

Rafael Tobias Cohen Tvorecki, de 17 anos, e Eduarda Anele Schames, de 16 anos, retornaram no fim da noite de sexta-feira para Porto Alegre

Família de Rafael Cohen, de 17 anos, recebe-o no Aeroporto Internacional de Porto Alegre.
Família de Rafael Cohen, de 17 anos, recebe-o no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. Foto : Fabiano do Amaral

Um misto de angústia, tristeza e alívio marcaram o retorno de dois brasileiros gaúchos na noite desta sexta-feira. Os estudantes, Rafael Tobias Cohen Tvorecki, de 17 anos, e Eduarda Anele Schames, de 16 anos, retornaram na noite de sexta-feira em Porto Alegre, por volta das 23h35min, no terceiro voo de repatriação de brasileiros que estavam em Israel, feito pela Força Aérea Brasileira (FAB). 

Os estudantes foram recebidos por suas famílias no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. 

Momentos de angústia

Pai de Eduarda, Salomão Schames Neto conta que os momentos em que a filha esteve em Israel foram de muita preocupação. Eduarda é estudante do segundo ano do ensino médio em uma escola no país do Oriente Médio. Ele explica que recebeu um aviso do professor de que os alunos do colégio onde a filha estuda precisaram se refugiar em abrigos subterrâneos ,conhecidos por bunkers, devido aos ataques promovidos pelo grupo Hamas desde o último sábado. 

“Ela foi acordada, às 5h, lá em Israel por um dos professores dela que comentou que o País estava sendo atacado. E nessa mesma manhã ela entrou em contato com a gente, já mandou uma mensagem. A Eduarda tinha um minuto e 15 segundos para correr até um bunker para se proteger. Quando tocou a sirene, ela teve que sair correndo assim e entrar no bunker”, detalha. 

Salomão ainda destaca que, apesar de ter a filha de volta ao Brasil, o momento é de muita tristeza e angústia. “Não é um momento de alegria. É um momento muito triste. Milhares de pessoas sofrendo com tudo isso, com um ataque terrorista assim. Muita tristeza para todos os lados, muitos inocentes pagando o preço desse ataque.”


Eduarda é recebida pelos pais no desembarque do Aerporto de Porto Alegre | Foto: Fabiano do Amaral

Decisão nada fácil de voltar

Patricia Cohen Tvorecki, mãe de Rafael, contou que na madrugada de sexta-feira para sábado foi acordada com a notificação de diversas mensagens no celular sobre o ataque que Israel havia recebido. Rafael morava e estudava nopaís desde 2021. “Foi a primeira vez que ele foi para o bunker. A região onde ele morava não tinha conflitos. Depois disso, não consegui mais dormir”.

Horas depois, o filho liga para a mãe para informar que pela primeira vez precisou se abrigar em um bunker. Apesar da situação, Patrícia conta que o filho não queria voltar para o Brasil. Foi necessário, então, o irmão mais velho conversar com Rafael. 

“Até para ele voltar para o Brasil, eu tive que negociar porque ele não queria. Ele disse que não ia voltar e que estava tudo bem, que ele estava seguro onde  estava. A gente conseguiu convencer ele a voltar e consegui inscrever ele para o voo de reparação no mesmo dia. A gente não sabe quanto tempo vai durar isso.”

Luis Alberto Cohen, irmão mais velho de Rafael, conta que, após tentativas frustradas dos pais, decidiu ligar para o irmão e explicar a situação. “Eu liguei para ele à tarde e conversei com meu irmão para falar o que estava acontecendo. Defendi o fato dele voltar, por ele ser menor de idade e ele acabar sendo um alvo”. O irmão foi acordado na manhã de sábado com a notícia de que Israel estava sendo alvo do grupo extremista Hamas. A preocupação era maior ao saber que o irmão estava na região.

“Todos os dias eu chorei. O único dia que consegui sorrir e chorar de felicidade foi hoje de manhã quando eu vi ele embarcando em São Paulo com a colega dele. A única coisa que fiz foi chorar de felicidade, mas uma felicidade administrada como angústia de tudo tá acontecendo lá em Israel”, desabafa.

Processo de Repatriação dos estudantes

A família de Rafael e de Eduarda destacam que o processo de repatriação dos estudantes foi muito rápido. 

“Eu fiz a inscrição de repatriação do Rafael no domingo, quando eu fiquei sabendo que tinha esse voo. Na quarta-feira de manhã, ele recebeu uma ligação dizendo que tinha voo na quinta-feira para retornar para o Brasil”, detalha Patrícia. 

Salomão acrescenta que o Governo Federal foi ágil no processo de repatriação da filha, de moradores e turistas de Israel. “A Força Aérea Brasileira nos orgulhou muito nesse momento. O Brasil foi um dos primeiros países que se organizou de uma forma extremamente rápida com um processo online de repatriação. Um tratamento maravilhoso em todos os lugares que chegaram, o pessoal da Força Aérea Brasileira apoiou minha filha. Tinha psicólogos e alimentação sempre em todos os lugares”.

“Israel é meu lar”, destaca Eduarda

Apesar do retorno não esperado, Eduarda destaca que foi o melhor a se fazer. Ela comenta que pretende voltar para Israel. “Agora quero ficar com meus pais e esperar tudo isso passar para poder voltar. Israel é meu lar, também. É triste sair de lá, mas é o melhor agora para poder esperar e voltar”. 

A estudante salienta que o sentimento de uma incerteza do que está acontecendo predominava: “eu estava em um lugar seguro, mas não tinha certeza do que ia passar nos próximos dias”.