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Famoso ativista deixa a prisão em Hong Kong e se une aos protestos

Quase dois milhões de pessoas foram as ruas pela retirada do projeto de extradição

Manifestantes contabilizaram quase dois milhões de pessoas contra projeto de extradição
Manifestantes contabilizaram quase dois milhões de pessoas contra projeto de extradição Foto : Philip Fong / AFP / CP Memória

O célebre ativista Joshua Wong foi libertado da prisão nesta segunda-feira em Hong Kong e se uniu aos protestos com um pedido pela continuidade da mobilização, além de defender a renúncia imediata da chefe de Governo local. Quase dois milhões de pessoas saíram às ruas no domingo em Hong Kong, uma participação recorde, segundo os organizadores, para exigir a retirada de um polêmico projeto de extradição para a China, iniciativa que foi suspensa pelas autoridades locais pró-Pequim.

Ao sair do Instituto Correcional Lai Chi Kok, Wong afirmou à imprensa que a chefe de Governo de Hong Kong, Carrie Lam, deveria renunciar de modo imediato. "Ela não está mais qualificada para ser a líder de Hong Kong e por isto deve assumir a responsabilidade e renunciar", disse Wong. "Agora que saída da prisão, vou unir-me aos habitantes de de Hong Kong para fazer oposição a esta diabólica lei de extradição para a China", disse.

Enorme protesto

"Na manifestação de hoje, contabilizamos quase dois milhões de pessoas", afirmou a jornalistas Jimmy Sham, um representante da Frente Cívica de Direitos Humanos (CHRF). O número não foi confirmado por fontes independentes. A polícia divulgou uma estimativa de 338 mil pessoas no momento de maior fluxo. Os organizadores pretendem manter a pressão sobre Carrie Lam, chefe do Executivo pró-Pequim de Hong Kong, que no sábado suspendeu o projeto de lei autorizando as extradições para a China. "Retire a lei do mal!", gritavam os manifestantes vestidos de preto.

A marcha de protesto partiu de um parque na ilha de Hong Kong e seguia para o Conselho Legislativo (LegCo, Parlamento), no coração da cidade. Trata-se do mesmo percurso realizado há uma semana e que reuniu um milhão de pessoas, de acordo com os organizadores. Segundo seus críticos, o projeto colocaria a população da ex-colônia britânica à mercê do sistema judiciário da China continental, opaco e controlado pelo Partido Comunista.

A comunidade empresarial teme ainda a possibilidade de a reforma prejudicar a imagem internacional e a atratividade do centro financeiro. Acusada de autoritarismo, Lam apresentou neste domingo suas "desculpas" e reconheceu que as "lacunas no trabalho do governo provocaram muitos conflitos e rixas na sociedade de Hong Kong e decepcionaram e provocaram angústia em muitos cidadãos".

Episódios de violência 

Na quarta-feira, Hong Kong registrou os piores episódios de violência desde a devolução do território à China em 1997, quando milhares de pessoas foram dispersadas pela polícia de choque com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Lam justificou a repressão pelos atos de violência da parte de alguns manifestantes, mas a oposição afirma que esta foi uma parcela ínfima no conjunto de protestos, em sua maioria pacíficos. "Polícia de Hong Kong, o seu dever é nos proteger, não atirar contra nós", dizia o cartaz de um manifestante.

O movimento vai além da questão das extradições e expressa um ressentimento muito maior contra o governo e contra Pequim, acusados de tolher as liberdades do território semi-autônomo. Nos últimos dias, a chefe de Governo se mostrou cada vez mais isolada, com deputados de seu próprio campo distanciando-se do texto. Os críticos de Lam culpam-na por perder várias oportunidades de se desculpar pelo comportamento da polícia.

Apesar da crise, a China reiterou nesta segunda-feira o apoio a Carrie Lam. "O governo central seguirá apoiando firmemente a chefa do Executivo da Região Administrativa Especial" (Hong Kong), declarou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Lu Kang. Lam é considerada pelos críticos muito subordinada a Pequim. Diante da pressão, ela anunciou no sábado a retirada por tempo indeterminado do projeto de lei sobre extradição.

Após as manifestações de domingo, Lam pediu desculpas. Os manifestantes, no entanto, repetem que exigem a retirada total do projeto de lei e a renúncia de Lam. O governo chinês expressou apoio à suspensão do projeto de lei, mas o porta-voz da diplomacia de Pequim afirmou que os manifestantes "não representam a opinião pública geral" de Hong Kong.