"O feto sofria uma atresia bronquial, uma obstrução total dos brônquios do pulmão direito, que era um risco para sua vida porque o pulmão crescia anormalmente e se comportava como um tumor", explicou Gratacós, que fez parte da equipe dos hospitais Clínic e Sant Joan de Deu, que conduziram a operação.
"Sem a terapia fetal, o bebê não teria sobrevivido", acrescentou Gratacós, referindo-se à menina que agora tem 16 meses e que foi apresentada nesta hoje à imprensa, sob os olhares de seus pais, Marco e Mónica Corominas. "Alaitz é completamente normal. Acorda contente e feliz, ri quando está contente, chora se tem fome", explicou Mónica.
Anomalia afeta um em cada dez mil fetos
A atresia bronquial é uma anomalia congênita muito pouco frequente, que afeta um em cada dez mil fetos, segundo Gratacós. Os especialistas realizaram uma endoscopia traqueal fetal (utilizadas em outras doenças) para chegar até o ponto em que o brônquio estava obstruído, perfurar a obstrução e reconectá-lo à árvore bronquial.
A operação levou apenas 30 minutos. "Nestes casos, é preciso operar muito rápido, como se assalta um banco", brincou o dr. Gratacós. Esse tratamento pioneiro foi apresentado por Gratacós e pelo chefe da unidade de cardiologia fetal do Clinic, Josep María Martínez, e pelos médicos do hospital Sant Joan de Deu, a cirurgiã pediátrica Montserrat Castañón e o neonatologista Julio Moreno.