A situação humanitária na Venezuela, após os dois fortes terremotos, de 7,2 e 7,5 graus na escala Richter, no final da tarde da última quarta-feira, continua crítica e os relatos dos migrantes vivendo no Rio Grande do Sul são de angústia e perda. Até o fechamento desta reportagem, o número de mortos pela tragédia havia subido para 589, de acordo com a presidente Delcy Rodríguez, com mais de 2,9 mil feridos. Dois dos mortos são brasileiros, conforme o Ministério das Relações Exteriores.
Em ao menos um site colaborativo criado para informar pessoas desaparecidas após os terremotos, havia mais de 49,7 mil ainda não localizadas na manhã desta sexta-feira. Franklis del Jesús Pazos, autor de uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para auxiliar seu país de origem, com apoio de associações como Migrantes e Refugiados Unidos RS e Casa dos Imigrantes e Refugiados do RS (CIRRS), contou que a comunidade venezuelana no Estado iniciou uma forte rede de apoio, mantendo contato por meio de plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram.
“Nosso corpo está aqui, mas nossa mente está lá na Venezuela. Existe aquela situação de impotência por não poder ajudar diretamente, além da preocupação constante com a segurança dos nossos entes queridos. Ficamos muito tristes e preocupados, porque novamente estão acontecendo coisas ruins na Venezuela”, afirmou ele, que vive no Rio Grande do Sul há quatro anos e é também membro da Associação dos Venezuelanos Mato Grande (AVMG).
Ele disse ter sido informado dos tremores por meio das redes sociais e por notícias da imprensa, além de familiares e amigos na Venezuela, durante a partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, pela Copa do Mundo, que ele estava assistindo com outros migrantes amigos. “Para mim e para as pessoas que estavam junto comigo foi um momento de muita preocupação, porque a informação chegou de forma fragmentada no início. Tenho família na região atingida, cheguei inclusive a chorar”, relatou ele. “Desligamos a televisão e passamos a ficar focados nas redes sociais e em tudo o que estava acontecendo”, salientou.