As cinzas de Fidel Castro cruzaram Cuba neste sábado e chegaram a seu destino final, Santiago, berço da revolução, onde uma multidão fervorosa lhe ofereceu a última homenagem antes de seu enterro, no domingo.
A caravana que leva a urna de cedro coberta com a bandeira cubana chegou à cidade depois do meio-dia. Uma multidão emocionada acompanha o cortejo, que partiu na quarta-feira de Havana, distante cerca de 800 quilômetros do local.
Em Havana, Matanzas, Cárdenas, Cienfuegos, Santa Clara, Sancti Spíritus, Camagüey, Las Tunas, Holguín, Bayamo, centenas de milhares de simpatizantes permaneceram nos acostamentos das estradas para se despedir do líder revolucionário.
A maioria dos cubanos foram incitados, ao longo desta semana, a jurar que darão continuidade ao legado socialista do homem que moldou o destino do país e desafiou a superpotência americana por meio século. A dispersa dissidência em Cuba evitou se manifestar, por temor de represálias.
Em Santiago, “Eu sou Fidel!”, entoavam cubanos quase em transe. Niria Rosales, uma ex-combatente de 77 anos que exibe uma medalha no peito e um bracelete do movimento rebelde 26 de Julho, fundado por Fidel, descreveu seu encontro com o líder máximo como um milagre: “Eu estava em Serra com ele. Colocou as mãos aqui e colocou meu nome de guerra”, contou, tocando nos ombros.
Os restos de Fidel percorreram boa parte da ilha, no sentindo inverso da rota que o líder da Revolução seguiu em 1959, antes de chegar a sua última parada. O presidente Raúl Castro, que assumiu o poder quando o irmão Fidel ficou doente, em 2006, encerrará os atos de homenagem com um discurso à noite.
Os restos do “Comandante” serão enterrados em uma cerimônia privada no domingo no cemitério de Santa Ifigênia de Santiago, onde jaz o herói da independência nacional, José Martí. Serão concluídos, assim, os nove dias de luto nacional, enquanto muitos se perguntam sobre o rumo que terá Cuba sem seu líder mais influente. Sem se afastar do regime de partido único, Raúl Castro, que deixará o poder em fevereiro de 2018, realiza uma lenta abertura ao trabalho privado e investimento estrangeiro.
Funeral fechado
O funeral será realizado sem a presença de câmeras da imprensa estrangeira. O cemitério está fechado há dias, e operários trabalham para finalizar os preparativos da cerimônia. “Saberemos tomar conta dele e montar guarda como se deve”, disse, com orgulho, Margarita Aguilera, que, aos 54 anos, dirige um estabelecimento municipal de distribuição de tabaco.
Fidel volta ao berço de sua revolução para último adeus
Restos mortais do líder da revolução cubana serão enterrados neste domingo