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Filha de sul-coreana envolvida em escândalo com presidente é detida

Chung Yoo-Ra, 20 anos, estava com visto vencido

A filha da polêmica ex-confidente da presidente da Coreia do Sul, no centro do escândalo que levou o Congresso a destituí-la, foi detida na Dinamarca, informaram as autoridades judiciais do país asiático. A presidente coreana, Park Geun-hye, cujas funções foram transferidas para o primeiro-ministro, é acusada de ter se deixado influenciar por sua amiga e confidente Choi Soon-Sil, acusada de corrupção.

Choi Soon-Sil está detida e é acusada de ter utilizado sua amizade com Park para extrair enormes somas de grandes conglomerados sul-coreanos, incluindo Samsung. A filha de Choi Soon-Sil, Chung Yoo-Ra, foi detida no domingo pela polícia dinamarquesa porque seu visto estava vencido.

O Ministério Público coreano informou que está em negociações com as autoridades dinamarquesas para que Chung, de 20 anos, seja deportada. Choi é filha de uma misteriosa figura religiosa, Choi-Tae-Min, chefe autoproclamado da Igreja da Vida Eterna. Ele havia se convertido no mentor de Park Geun-hye após o assassinato de sua mãe, em 1974.

Segundo a imprensa, Choi Soon-Sil teria herdado de seu pai, que morreu em 1994, uma influência pouco apropriada sobre a presidente. Após o escândalo, Choi se tornou conhecida como a "Rasputina" da Coreia do Sul. Em função desse escândalo, no início de dezembro o Parlamento da Coreia do Sul aprovou a destituição de Park Geun-Hye.

O impeachment, aprovado por 234 votos a favor e 56 contrários, transferiu imediatamente os poderes de Park ao primeiro-ministro, à espera da sentença do Tribunal Constitucional, que deve ratificar ou invalidar a decisão parlamentar. A definição pode demorar seis meses, período em que Park poderá permanecer na residência presidencial, a Casa Azul. A situação pode prolongar a crise política.

Pouco depois da votação, Park Geun-Hye pediu perdão pelo "caos" político no país e solicitou ao governo que permaneça vigilante. Park, 64 anos, entra para a história como a primeira presidente sul-coreana eleita democraticamente a não concluir o mandato de cinco anos. Um desenlace inesperado para a política, filha do ditador Park Chung-Hee, que fez campanha como uma candidata incorruptível, que não devia nada a ninguém e estava "casada com a nação".

O processo de destituição é resultado de semanas de crise, durante as quais milhões de pessoas saíram às ruas para pedir aos partidos políticos o afastamento de Park. A pressão da opinião pública foi fundamental para que um número suficiente de deputados do partido conservador da presidente, o Saenuri, decidissem apoiar a moção ao lado da oposição.

A corrupção na cúpula do poder tem sido um grande obstáculo para a democracia sul-coreana e o palácio presidencial não é exceção. Desde as primeiras eleições livres em 1987, todos os presidentes foram objeto de investigações. O ex-presidente Roh Moo-Hyun cometeu suicídio durante a investigação de um caso de corrupção que envolvia sua família.  Em um país onde a classe política tem vínculos estreitos com o mundo empresarial, muitos parentes aproveitam para obter favores.